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“Otaku ocidental não consome nada!”

11 out
Olha um quarto de Otaku japonês!

Olha um quarto de Otaku japonês!

Nesta semana que passou foi essa a afirmação que eu mais ouvi de algumas empresas por aí, mas vou usar uma em especial como exemplo pra esse texto. No mês que vem o querido canal Animax feito para os fãs de animes (vulgo Otaku) vai passar por uma reformulação. Deixará de ser um canal especialmente de animes e vai incluir outros programas, músicas e até seriados em sua programação. É nada mais de “Só animes!” ou músicas pop japonesas em seus intervalos. O público do canal em geral ficou chocado, e já andou cogitando inúmeras razões para essa mudança radical na direção da Sony em relação ao Animax, sendo uma delas a de que o canal não anda lá bem das pernas. E quer saber a verdade? O Animax não anda bem das pernas mesmo e sabe porque? Porque eles chegaram a mesma conclusão de muitas outras empresas que investem nesse mercado de que “Otaku ocidental não consome nada”! E se ele não gasta dinheiro pra que um canal como esse exista, então porque continuar investindo nisso, certo?

Infelizmente chegamos a conclusão de que há muito se falava: de que os próprios fãs acabariam com esse mercado. E realmente é isso que estamos fazendo. Detonamos com tudo o que era oficial. Os canais de tv que costumavam investir nesse tipo de produção estão parando de fazer isso, as empresas de produtos relacionados ao assunto também os estão deixando de lado.

Eu acredito que a causa seja o fato de o fã ocidental de animação japonesa ser um cara (ou uma mina!) formado na internet. Na minha época de fã, eu me lembro de gastar fortunas com cards, VHS, mangás e produtos que lembravam o que eu mais gostava (que era Dragon Ball!). Os fãs que evoluíram depois de mim também gastavam comprando DVDs e outros produtos. É só nos lembrarmos de Cavaleiros do Zodíaco, dos mangás que vendiam muito, dos DVDs que foram um sucesso, dos Cloth Myth, dos produtos para festas, fantasias para crianças, etc.

American Goku!

American Goku!

Infelizmente, a nova geração de fãs está bem longe de gastar com estas coisas. Ele vê tudo pela internet, consome mangás escaneados e traduzidos, baixa jogos piratas e não tá nem aí pro que vá acontecer daqui pra frente.

E falando em Animax, TODOS os canais do mundo inteiro vão sofrer a mudança radical com EXCEÇÃO do Japão onde deverá continuar o mesmo porque lá o povo consome e muito. É quase impossível estando no Japão ficar sem comprar um chaveiro, um adesivo ou até mesmo cantar no karaokê as músicas da modinha.

E aqui a galera se contenta em baixar tudo de graça, não consome quase nada e ainda reclama que isso tá caro, que aquilo tá caro e assim vai. Sabe qual é o novo alvo deste “novo” Animax? Aqueles garotos “pseudo-alternativinhos” que a galera tende a chamar de geração MTV. Um cara que trabalha e tem entre os seus 16 e 18 anos e gasta uma boa parte do salário em bugigangas e coisas bacanas do mundo pop. Tem um amigo meu que define a MTV como uma coisa engraçada, algo assim: “O cara que assiste esse canal é um cara que  fuma maconha e quando o chamam de maloqueiro fica com raiva, ao mesmo tempo em que gasta a grana do pai com coisas idiotas e quando é chamado de Boy fica com raiva também. Ou seja o cara é meio hype, meio playboy”. Essa não é a minha opinião, hein! Que fique bem claro isso! Mas deu pra notar que é pra esses caras que as novas empresas estão mirando no futuro, o cara adolescente que ganha um troco e é guiado pela modinha. Aliás, eu acho que sempre foi assim. Temos que reconhecer. O único problema é que talvez a moda do anime tenha acabado no resto do planeta com exceção do Japão.

O cara das novas modinhas é o tipo de pessoa que vai consumir no lugar dos “fãs de anime” que não se importam o suficiente com o mercado porque se formaram na época do Free, a teoria onde tudo que vem da web tem que ser de graça.

E o fã de anime de hoje é internauta mesmo, se forma na rede. Até porque ele não fica sabendo de mais nada fora desse meio digital, já que por aí já não se fala mais sobre o assunto. (Só como exemplo, canais americanos e japoneses resolveram exibir alguns animes de graça em seus sites oficiais na tentativa de encontrar uma maneira de ganhar dinheiro com isso no futuro!)

Será que há uma solução para que vocês não sejam abandonados?

Os games também sofrem por isso. Eu estou trabalhando em uma editora agora e dentro de um núcleo de games. Já, já, vocês ouvem falar de mim por aí. Por enquanto mantemos o sigilo…rs.. :P

Pesquisando sobre o que estamos fazendo, eu resolvi entrar na internet e ler o que os caras dizem sobre a revista que é publicada pela editora em que eu trabalho, e comecei a ouvir opiniões muito ruins sobre o assunto. Tem até um tópico chamado: “A decadência das revistas de games” que fala como as revistas de games são desatualizadas no mercado, como não vale a pena gastar uma grana com elas e como tem gente que compra só pra ser saudosista, não porque realmente curta e tal. Eu li e fiquei super chateado, mas depois eu pensei: “Po, mas não é pra esse cara que tô querendo criar alguma coisa! Esse cara lê as notícias da web e baixa tudo pirata. Definitivamente não é ele quem vai gastar 10 pilas na minha revista”. E tenho que confessar que já pensei que as revistas iam acabar assim também, mas sei que não posso esquecer você, “cara maluco que acha que as revistas têm que acabar”, mas tenho que lhe dizer uma coisa da mesma forma que alguém me disse, sinceramente, espero que na hora certa, você dê a chance de ver o que anda chegando ao mercado. De repente você pode se surpreender.

Tem que haver uma maneira de se criar um meio-termo entre revista e internet algo que nos últimos 5 anos grandes editoras achavam que não existia, mas existe sim. Anos atrás, uma revista gigantescas e tradicionail, a Electronic Gaming Monthly parou sua publicação. Foi vendida pra concorrente porque tudo o que a revista fazia era facilmente encontrado na internet. Como eu disse antes, a internet tornou a procura por informações infinitamente mais fácil. Então como resolver isso? A solução está em fazer aquilo que não existe na web em integrar um conteúdo que junte tanto o fã da net quanto o das revistas. Todo mundo sabe que isso é possível, mas é tão mais complicado! Com pouca grana e muito esforço, logo qualquer jornalista perde o pique e passa a copiar tudo da internet porque é o jeito mais simples. Já no meu caso, eu quero que o cara copie da minha revista e jogue na rede! Faça o inverso!

Esse pensamento é maluco, mas ele existe! Basta olhar para uma publicação de games gigantesca como a japonesa Famitsu, por exemplo! Ela tem as suas páginas escaneadas toda a semana na web e suas notícias correm o mundo através de seu site. Você não iria querer comprar algo assim? Quando eu estava no Japão, gastei uma boa grana comprando a Famitsu. Eu ficava tão feliz toda a semana porque sempre tinha algo novo e estando por lá eu sabia que era um dos primeiros brasileiros do planeta a saber o que rolava.

Pensando nisso, eu fico alucinado! Parece um trabalho de gente louca porque é muito grande e eu não ganho o suficiente para isso (aliás no cenário de games nacional, ninguém ganha!). De qualquer maneira, se eu não conseguir, pelo menos devo ter a sensação de que eu tentei..rs..

E qual não foi a minha surpresa ao olhar nas bancas da Av. Paulista e perceber que a revista americana Gamepro continua a ser publicada até hoje. E depois disso, resolvi dar uma olhada na web e descobri que a Electronic Gaming Monthly retornará em dezembro e pelas mãos do criador Steve Harris!… Olha só o site deles: http://www.egmnow.com/

Poxa, revistas tradicionais americanas estão voltando, talvez uma tradicional brasileira também possa renascer não acham?

Gantz – Live Action – Mais Detalhes!

8 out
Só porrada hein!

Só porrada hein!

Kazunari Ninomiya (Arashi) e Kennichi Matsuyama (“L” do filme Death Note) serão os dois protagonistas da versão cinematográfica de Gantz, mangá publicado na revista semanal japonesa Young Jump (e no Brasil pela Panini Comics!). A notícia foi revelada no dia 8 de outubro e hoje mais detalhes vieram a tona. O filme será dividido em duas partes cujo lançamento deve acontecer no inverno e na primavera japonesa de 2011.

Gantz foi criado por Hiroya Oku e conta a história de Kei Kurono (Ninomiya) e Masaharu Katou (Matsuyama), dois jovens que foram mortos atropelados por um metrô. Milagrosamente, os dois são transportados para uma estranha sala onde participam de um jogo sanguinário, comandado por uma esfera negra (Gantz).
No filme, as idades dos personagens serão alteradas. Enquanto Kei será um estudante da faculdade a procura de emprego, Masaharu já estará trabalhando.

O mangá já vendeu mais de 10 milhões de exemplares no Japão e continua a ser publicado, por isso os filmes terão um final original.

O diretor do filme Hottarake no Shima, feito quase inteiro em computação gráfica, Shinsuke Satou deve dirigir a produção.

Enquanto Yusuke Watanabe de 20th Century Boys está escrevendo o roteiro e Takahiro Satou do longa-metragem Death Note será o produtor.

Novo video do longa animado Astroboy

4 out
Trailer japonês e americano nada a ver!

Trailer japonês e americano nada a ver!

O site da Apple liberou um clipe inédito do filme Astroboy. O vídeo mostra o pequeno herói robô preso dentro de uma “batalha de robôs” em que ele se recusa a participar. Para assistir é só clicar aqui.

Astroboy conta a história de um menino-robô, chamado Astro (ou Atomo no Japão) criado a semelhança do falecido filho de um cientista chamado Dr. Tenma. Logo, o fabuloso cientista percebe que Astro não pode substituir o amor de seu filho e acaba vendendo-o para o dono de um circo. Um belo dia, um outro cientista chamado Ochanomizu, vê o garoto se apresentando e acaba convencendo o dono do circo a da-lo a ele. Criado de forma afeituosa por este professor, Astro passa a combater o mal e a injustiça. Desta maneira, ele descobre que também tem a capacidade de expressar as emoções humanas.

A história de ficção-científica foi criada pelo mestre dos mangás, Osamu Tezuka e publicado no Japão e 1963. Este novo filme teve roteiro escrito por dois roteiristas americanos (Timothy Harris e David Bowers) que se basearam na história original.

No Japão, o filme terá o herói dublado pela modelo Aya Ueto. Nos EUA, a voz ficará com Freddie Highmore, o ator que fez os irmãos gêmeos de As Crônicas de Spiderwick. No Brasil, eu ainda não sei…

O filme estréia no Japão em 10 de outubro, nos EUA em 23 de outubro e no Brasil apenas em 22 de janeiro de 2010.

Bom, como eu não aguentei, resolvi fazer uma pequena comparação entre os dois trailers…

Aqui tem um trailer em japonês com a voz da modelo. Uma coisa que eu achei interessante foi que o trailer tem cenas muito parecidas com o que o Tezuka criou nos mangás. Aparece o Dr. Tenma dizendo: “Eu não sei o que eu fiz… Eu olho para a cara deste garoto e pelo que consigo me lembrar… ele não é o meu precioso filho… Eu não o quero…”. Aí aparecem algumas frases escritas como se o Astro as tivesse falado. Logo no começo aparece a frase: “Eu morri. No entanto, o meu pai me deu uma nova vida…”

Depois tem o trailer e no meio logo que o Dr. Tenma diz:“Me desculpe…” aparece a frase: “Você sabia?” e depois vem: “Que a verdadeira história de Atomo…” aí continua o clipe mostrando como ele virará um herói e tal… Aí no final tem a frase: “Eu não posso perder porque eu sou o filho do meu papai”. Acho que lendo assim em português não dá pra passar muito a emoção que a língua japonesa transmite, mas dá pra entender que o trailer apela pro lado emocional da coisa. Como na história original de Tezuka, a idéia de um robô que quer se tornar humano e ser aceito pelo pai, uma espécie de Pinóquio moderno.

Já o trailer americano “mata” toda essa essência do original. É muito chocante assistir aos dois. Na versão americana o filme não passa de um longa animado de verão cheio de aventuras e personagens divertidinhos, onde tudo dá certo no final. É como se o Astro fosse um brinquedo e tal. Me lembra um pouco aquelas vinhetas da Globo da Sessão da Tarde em que o cara sempre fala a mesma coisa: “Uma turminha genial vivendo altas aventuras para escapar de uns robô maldosos…”

É muito triste, mas o trailer americano pra quem tá acostumado a ver desenhos japoneses passa a idéia de que a produção em si vai ser uma merda. Enfim…

Assista e compare os dois, please! Espaço para comentários é de vocês amigos!

Porque gostamos da cultura pop japonesa?

2 out

meAcho que o primeiro contato que tive com algo relacionado a cultura pop japonesa aconteceu na época do Boom dos videogames lá pelo final de 1990 ou 1991. As locadoras abarrotadas de jogos lutavam entre si umas para ter mais games do que as outras. As revistas fervilhavam lançamentos e eu como numa sorveteria demorava um bom tempo para escolher o que queria. E jogos japoneses faziam parte do menu das locadoras, já que elas estavam sempre tentando obter os lançamentos do jeito mais rápido possível e o Japão foi o país responsável por reviver essa viciante mania, depois da Atari ter quebrado pela primeira vez (entre 1972 e 1984). Mas não é só nisso em que eles são bons.

No final da Segunda Guerra Mundial, o país fora destruído pelos bombardeios americanos e sua economia havia sido aniquilada por terem transformado toda sua indústria em esforços de guerra. Mesmo assim, com a ajuda externa, o país se recuperou economicamente em um pouco mais de 50 anos. Uma coisa assim só foi possível por causa do esforço coletivo dos japoneses que transformaram seu país na segunda maior potência econômica do planeta. Sendo assim, não demorou muito para o Japão despontar como um dos maiores exportadores do mundo. Mas este pequeno país, mesmo hoje, importa quase 80% de tudo o que consome, o que então o transformaria numa potência? A resposta é simples, a tecnologia. O país ficou famoso por “reinventar, transformar, recriar e melhorar” idéias que já existiam. Sim, o Japão recicla e vende  novos e melhores produtos.

Foi assim com a revolução dos videogames, dos computadores, câmeras digitais, mp3 players e etc. Histórias em quadrinhos (mangás), desenhos animados (anime) e a música também sofreram transformações, tendo os EUA como fonte de inspiração, esses elementos foram adaptados ao gosto japonês e passaram a ser vorazmente consumidos por lá. Agora você deve querer saber, como isso foi cair no gosto de muitos jovens pelo  mundo afora, certo? Pois bem, nos países onde existe uma colônia de descendentes de japoneses como é o caso do Brasil, sempre houve um movimento tímido de pessoas que curtiam esta cultura pop. Assim, assistir aos animes e ler mangás era uma forma de manter os descendentes de japoneses, principalmente os jovens, interessados em sua língua, tradições e raízes. E este movimento só foi parar no gosto mundial quando tornou-se mais evidente o processo de globalização. E, certamente, um dos responsáveis por acelerar este processo foi a internet.

A internet é uma tecnologia que surgiu, aparentemente, de uma experiência militar americana e que quebrava de uma única vez os três elementos da física: o tempo, a massa e o espaço. Por exemplo, sem precisar se deslocar para ir a uma biblioteca, perder tempo pesquisando e nem ter que levar um livro pesado para casa, era muito mais fácil ter acesso a mihões de informações a poucos cliques de distância. Desta maneira, a internet passou a difundir a cultura mundial. E foi no meio dessa revolução tecnológica que entraram os desenhos animados, quadrinhos e música japonesa que hoje são consumidos e apreciados no mundo inteiro. Quando a internet caiu na mão do público, acabou dando voz a milhões de jovens ávidos por trocar informações e no meio disto tudo o Japão, que está sempre na vanguarda do que há de mais Hightech, passou a transmitir sua cultura popular que tornou-se a mais querida por adolescentes e jovens ao redor do planeta.

Basicamente, se você não conseguisse ter acesso a cultura pop japonesa de forma tão eficiente, certamente jamais teria chance de consumi-la da maneira que fazemos hoje. E provavelmente não estaria perdendo seu tempo vindo aqui ler as coisas que eu escrevo. :P

TOY ART: Junko Mizuno cria arte para “Meu Querido Pônei”

2 out

Meu Querido Pônei ganha toque Kimo-Kawaii

Meu Querido Pônei ganha toque Kimo-Kawaii

A desenhista, autora, estilista e designer Junko Mizuno criou uma versão exclusiva para um dos pôneis da série “Meu Querido Pônei” que ultimamente anda sendo customizado como se fosse um Toy Art. Dar a chance de artistas mudarem o estilo do brinquedo acabou lhe dando uma vida nova no mercado. Para as “meninas crescidas”, a série é um clássico e, certamente, dá mais vontade ainda de ter se  souber que a peça feita por um designer que a gente conhece.
Junko Mizuno é conhecida por unir o macabro ao adorável em suas criações. Ela é adepta ao movimento chamado Kimo Kawaii (きもかわいい). É uma palavra japonesa que une duas palavras antônimas, o Kimoi (”nojento” ou “bizarro”) e o Kawaii (”bonitinho”, “fofinho”).  A designer cria monstros terríveis com feições adoráveis, zumbis que são bons namorados, canibais alegres e bonitinhos, etc…
Foi com essa sensibilidade que ela criou este design original para o Pônei que tem estampas baseadas em rosas, com tentáculos e uma combinação inconfundível de cores “macabras” que dão estilo a artista como preto, lilás, rosa e dourado. A versão foi lançada no dia 29 de setembro e não deve durar muito por aí.
Ela está sendo vendida na loja Entertainment Earth por US$ 16, 99.

A Marvel resolveu lançar em setembro uma coletânea de histórias chamada Strange Tales que foi feita por diversos artistas alternativos e indie, diferentes do que a editora está acostumada a trabalhar. E a Junko Mizuno fez uma dessas histórias com o  Homem-Aranha. Olha só como o herói ficou no traço dela.

Junko-aranha

Para saber mais sobre Strange Tales e ler uma entrevista dela em inglês é só clicar aqui.

Os brasileiros ficaram conhecendo o trabalho de Junko Mizuno através de um mangá publicado por aqui chamado Cinderalla.

Junko Mizuno Designer My Little Pony