Um encontro com Darling de ダーリンは外国人

O que eu tinha em comum com o Tony? Uma namorada chamada Saori.

Essa história começou faz tempo. No ano passado eu namorava um garota japonesa chamada Saori que veio ao Brasil em 2007 fazer intercâmbio de língua portuguesa na Universidade em que eu estudava. Ficamos amigos, saímos bastante e logo nos apaixonamos. No final de 2007 o intercâmbio acabou e ela teve que retornar ao Japão, mas o amor continuou. Tentamos nos separar, mas alguma coisa nos puxava a ficar juntos. E assim tentamos manter o relacionamento a distância com internet, presentes e cartas. Ela veio ao Brasil mais duas vezes e eu fui ao Japão uma vez e moramos juntos por 3 meses. Nestes 3 meses cada vez que entrava em um trem em Tóquio me deparava com pequenas histórias em mangá que contavam as aventuras de Saori, uma garota que queria ser desenhista de quadrinhos, que era casada com um americano chamado Tony Laszlo.  Isso foi o suficiente para que criássemos várias brincadeiras sobre o assunto e meu interesse pela história de Saori cresceu. Em janeiro de 2009 voltei ao Brasil, a minha Saori veio mais um vez em março e depois tentamos manter o relacionamento por mais algum tempo, mas a distância nos venceu em novembro do mesmo ano. Trabalhando em uma empresa japonesa, Saori tinha muito compromissos e como mandam as maravilhosas “regras invisíveis” do Japão, ela passou a se dedicar a empresa, aos amigos da empresa e foi sacrificando o tempo que havia para nós que se resumia apenas a conversar pelo Skype (uma merda, by the way!). Assim, no final dolorosamente nos separamos.

Até o começo deste ano ainda estávamos nos falando de vez em quando, mas repentinamente ela parou de responder emails e atender as minhas ligações. Eu fiquei chateado com isso, mas só fui perceber quando estive no Japão na semana passada que ela tinha encontrado um novo amor. E sem avisar, simplesmente parou de me contatar. Foi bem triste saber disso, mas não pelo fato dela ter encontrado alguém, já que não há nada a se fazer em relação a distância, mas sim pelo fato de não ter tido a consideração (ou talvez a coragem) de me dizer o que estava acontecendo. Eu fiquei durante algum tempo achando que algo havia acontecido com ela, ou que talvez eu tivesse dito algo que a ofendeu, sei lá.

Enfim, de todas as brincadeiras que fizemos, eu descobri que a Toho estava produzindo um filme baseado no livro, ダリンは外国人. Depois disso fiquei interessado na produção e fui atrás da pessoa que seria o Tony no filme, o ator americano Jonathan Sherr. Trocamos muitos emails, falamos bastante sobre a vida, sobre como eu queria tanto morar no Japão e como amava a cultura japonesa, apesar de ter um olhar crítico a muitas coisas, etc.

Na semana passada durante a visita a Konami no Japão, mesmo sem muito tempo para conversar, o Jonathan veio me encontrar na porta do prédio da empresa. Foi muito legal e muito rápido. Nesta uma hora em que falamos sobre a vida, deu para entender que, mesmo distantes, nos tornamos bons amigos por termos alguns pontos em comum. Logicamente que arrumei tempo e fui ver o filme e confesso que, apesar de uma comédia romântica, em certas cenas acabei chorando. Algumas se pareciam muito com situações que eu havia vivido com a Saori enquanto estávamos juntos.

O Jonathan disse que ficou feliz em me conhecer porque o brasileiro é muito otimista e ser assim é muito importante. É bom ter uma pessoa a nossa volta que nos faz sentir bem, quando sentimos que não temos mais forças para prosseguir. Na verdade, ele foi uma das pessoas que me ajudaram a ter energia durante a semana corrida que passei em Tóquio, logo depois de saber que a minha ex já tinha outro e não tinha a mínima intenção de sequer conversar mais comigo. Confesso que fiquei me sentindo uma caca.

O que me interessava muito na Saori era o fato dela ser “a pessoa que eu mais gostava no lugar em que eu mais gostaria de estar”. Sempre que falava com ela parecia estar fazendo algo incrível, mesmo quando era algo simples da vida cotidiana, e isso me deixava com mais vontade ainda de morar em Tóquio.

Essa semana eu descobri que não é apenas ela, mas sim todos que conheço que me deixam com vontade de morar lá. Tempo é relativo e mesmo sem muito, o Masao meu amigo de muitas aventuras saiu da empresa em que trabalha, a poderosa Itochu, as 22h30 e foi até o hotel só para me dar um abraço e me perguntar como eu estava. A Sae, pintora que vai ficar famosa um dia, veio logo na terça, e apesar do meu dia ter tudo para ser ruim, ela me animou mesmo com todo jeito nerd dela. Foi muito divertido.

Antes de embarcar no vôo fui ver o bebê de uma amiga que acabou de nascer e se chama Yuka. Linda menininha. Não vejo a hora de ensina-la a falar português. 😛

A Rita que é minha amiga brazuca, por falta de tempo e de uma ou duas ligações acabamos não nos vendo, mas se eu tivesse tido um pouquinho mais de tempo certamente a teria encontrado. Assim como o Shinpachi, a Naoko, o Ryusuke, Yohsuke, Ai, Miku, o Juliano e mais um monte de pessoas que eu conheço. E sei que de alguma maneira todas elas fazem parte da minha vida mesmo estando em lugares tão distantes. Acho que isso é o mais importante.

僕は「日本に住みたい!」と言うとき、僕のために東京は一番好きなところです。東京でたくさん大事な友達にいるんです。皆、一度も忘れないです。

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2 comentários Adicione o seu

  1. Felipe Nasca disse:

    Nossa, desde que li seu primeiro post sobre o filme eu tenho muita vontade de assistir! Tomara que pinte por aqui… pelo menos na net com legendas.

    Apesar do lance da nacionalidade não ter nada a ver, até que minha ex-namorada terminou comigo de um jeito bem parecido. Faz tempo, época de Ensino Médio. Foi só ela entrar na escola técnica e foi a mesma coisa. Começou a ignorar meus contatos até eu descobrir que tinha outro. =/

    É a vida, né? Depois de uma dessas a gente sempre sai mais forte! (pelo menos eu acho)

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  2. Honda disse:

    Já vi esse filme antes. Mulherada é igual em qualquer parte do mundo. Quando se encanta com um macho larga tudo pra tras e vai atras pra depois ficar chorando arrependida. No Japao, tem o agravante da sociedade que mais do que os estrangeiros, se autodiscrimina. A questão do padrao. Mas, se nao deu certo é porque voce merece alguem melhor e o tempo é quem vai dizer no final das contas quem vai levar a melhor. Nantoka naru yo Renatao!

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