Mais de mil mortos estão contaminados pela radiação

Corpo encontrado perto dos reatores
Corpo encontrado perto dos reatores (photo: Kyodo)

Três semanas após o terremoto seguido de Tsunami que atingiu o nordeste do Japão, o país ainda sofre o perigo da contaminação radioativa. Todos que assistiram a tv, leram jornais e revistas se chocaram com as imagens de tudo o que aconteceu na tarde do fatídico dia 11 de março.  Apesar da mídia brasileira ter dado uma “acalmada” no assunto, a situação nas regiões próximas a usina nuclear de Fukushima ainda são graves.

Durante as últimas semanas nós estrangeiros ouvimos apenas comentários sobre Tóquio. “Será que a radiação chegou por lá?”, “a água está contaminada”, etc… Mas Tóquio ainda está fora de risco. O fato é que as pessoas que estão fora da área contaminada continuam a trabalhar normalmente. A preocupação primordial com Tóquio é o fato dela ser uma capital muito importante economica e politicamente. De lá são tomadas todas as decisões relevantes para o país.

Ao redor dos reatores danificados e das regiões diretamente afetadas pela tragédia haviam fábricas e cidades que foram destruídas. Isso não é menos importante, certo?

Depois de três semanas, o governo japonês continua sem saber como lidar com a situação. Eles tentam acalmar a população, mas o problema não pode ser facilmente resolvido. Mesmo jogando água e religando a energia dos reatores, ainda assim a radiação continua a se dispersar no ar, no solo e na água. Os reatores que receberam água do mar terão que ser desativados já que o sódio corroerá o metal das instalações. Uma parte da água jogada nos reatores se acumulou em poças radioativas e uma outra parte foi para o mar contaminando a água e os animais que ali vivem.

Uma notícia ainda mais dramática que li foi o fato do exército não conseguir recolher os mais de mil corpos que estão nas cidades destruídas em torno do reator. Em um raio de 5km estão corpos em decomposição contaminados com radiação em níveis intoleráveis. Eles tiraram essa conclusão ao tentar recolher um corpo encontrado na cidade de Okuma na província de Fukushima. O governo estuda como lidar com a situação já que não querem expor médicos, soldados e familiares das vítimas a radiação. Eles haviam decidido examinar cada corpo apenas depois de recolhe-lo, mas acabaram desistindo ao perceberem o nível de material radioativo contido na vítima em Okuma.

No Japão há o costume de cremar os mortos, mas isso não pode ser considerado já que a fumaça gerada por uma vítima dessas regiões poderia levar radiação através do ar. Ao mesmo tempo, se forem enterrados poderão contaminar o solo e os lençois freáticos. Ou seja, essa situação está cada vez mais complicada.

As autoridades ainda consideram descontaminar e inspecionar os corpos onde forem encontrados, mas a limpeza de um corpo em decomposição iria danifica-lo irreversivelmente, o que obrigaria que se fossem feitos exames de DNA em cada vítima para descobrir a sua procedência.

O governo pensa em aumentar a área de exclusão das pessoas nas cidades em torno dos reatores. Inicialmente era para que todos os sobreviventes se afastassem em um raio de 2o km dos reatores e aos 30km que se mantivessem dentro de casa. Se a situação mudar, o recuo deve evacuar mais cidades e deixar ainda maior o número de pessoas que precisam de cuidados.

As vítimas das áreas atingidas pelo terremoto seguido de Tsunami que estão em regiões distantes dos reatores nucleares estão sendo identificadas e enterradas em valas abertas pelo exército para posteriormente serem exumadas e receberem a cremação. O motivo delas não serem cremadas diretamente está ligada ao racionamento de combustível e energia elétrica que cada uma dessas regiões passa.

Um dos monges revelou a agência de notícias Kyodo que demoraria cerca de 5 anos até que os templos ao redor do Japão pudessem celebrar o velório e cremar todos os mortos destas regiões devido ao volume de vítimas.

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