Ishinomaki de agora em diante…

Esse mini-documentário sobre a cidade de Ishinomaki, cidade litorânea que foi devastada durante o terremoto e do Tsunami de 11 de março de 2011, foi retirado do site Japan Probe.

Sempre rolam algumas notícias interessantes por lá e este vídeo feito por Paul Johannessen me chamou muito a atenção. Ele fez estas filmagens alguns meses depois do desastre e conversou com várias pessoas para saber como anda a situação naquela região. Os relatos são os mais diversos.

Ishinomaki é uma região que vive da pesca e a destruição afetou muito a população por lá. Sem empregos e com a perda dos parentes muitas pessoas estão se suicidando por acharem que não há mais saída para suas vidas. Um grupo de pessoas no entanto está tentando ajudar os sobreviventes. Segundo um dos relatos, muitas pessoas precisam não apenas do bem material, mas de força emocional. Elas precisam conversar, desabafar e encontrar amigos de onde possam encontrar apoio neste momento tão difícil.

Eu acho que já disse inúmeras vezes aqui no blog, mas não custa repetir. Eu sinto que os japoneses em geral sentem muito mais, mas guardam para si, do que nós brasileiros. No Brasil nos momentos de tristeza e desespero, sempre há uma pessoa que nos estende a mão ou que no mínimo quer saber o que aconteceu. Já no Japão as pessoas não tem o costume de compartilhar seus sentimentos. Em parte com o receio de “incomodar” os outros.

Neste vídeo acima tem o relato de um dos sobreviventes logo no começo ele diz assim: “Quando o Tsunami estava chegando eu não sabia o que fazer. Vamos correr! dizia. Mas minha mãe abriu a janela da casa para tentar pegar a sua irmã que estava do lado de fora. Eu dizia para irmos embora… e foi quando a água entrou. Aquele foi o fim da minha família. Todos morreram e só sobrou a mim. Eu tenho que continuar a viver, mas não tenho nenhuma perspectiva”. E quando ele fala isso não demonstra nenhuma tristeza ou desespero em seus olhos. Ele apenas diz aquilo e pronto. Em hipótese alguma ele está dando menos importância ao acontecimento, mas apesar de viver com as lembranças do que ocorreu, ele precisa continuar em frente.

Mais para frente no vídeo um casal de velhinhos diz que estão trabalhando os dois. A esposa diz: “Se não trabalharmos e ficarmos pensando que não temos mais nada, então ambos ficaremos doentes”.

Depois de 11 meses e com a data do desastre chegando novamente, eu continuo lendo sobre o assunto. Quero saber o que o governo japonês está fazendo para ajudar as pessoas das cidades devastadas. Ao mesmo tempo, há a catástrofe radioativa de Fukushima que não se resolve apesar da mídia mundial ter perdido o interesse sobre o assunto.

Em Ishinomaki ainda existem 3200 pessoas desaparecidas desde o desastre e que ainda não foram encontradas. Neste vídeo que está no link ao lado os policiais procuram vítimas em Okawa. Dizem que as escolas são os locais mais seguros para que as pessoas se abriguem em caso de terremoto. Geralmente quando encontramos algum mapa alertando sobre terremoto no Japão ele indica a escola mais próxima. No caso de Okawa as pessoas se abrigaram na escola, mas esta não foi suficiente para protege-los. O prédio pegou fogo matando todos que estavam lá dentro (mais de cem pessoas entre homens, mulheres e crianças).

No vídeo acima os sobreviventes comentam sobre o acontecido, mas neste caso a imprensa japonesa abafou a notícia porque segundo eles na época seria muito traumático.

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