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“Um conto de Natal”

24/12/2014 – Madrugada – 3:00 am

Ontem andando pela Paulista embaixo de chuva as duas da manhã. Um cara atravessava mais uma vez a avenida de ponta a ponta. Ele precisava mesmo andar.

Zero pessoas na avenida molhada, zero pessoas repararam nas lágrimas que rolavam do cara andando de bermudas no frio usando um moletom do Homem-Aranha. Ele queria mesmo que alguém o acertasse com alguma coisa porque só assim ele ia transformar em física a dor que só existia em sua psique.

Meio bêbado e meio cansado depois de passar um dia inteiro na chuva… Ele só pensava no que tinha vivido e pelas coisas que havia passado. Em um mesmo dia ele se sentiu mal, ele se sentiu feio e “fora do lugar” como jamais havia sentido.

Dessa caminhada e da lucidez trazida pela birita brotaram duas óbvias descobertas…

A primeira foi que mesmo querendo ser a melhor pessoa que existe, sempre vai haver uma pessoa que você gosta para te chamar de escroto e egoísta. Qual é a linha tênue que separa o bom do mal? O certo do errado? A realidade é que se pode ser egoísta e escroto para uns e não para outros. A verdade é que cada pessoa é uma pessoa. E pode mesmo um grupo ter um conceito completamente diferente sobre você. E obviamente esse não é o seu grupo.

A segunda descoberta é que gostar de alguém e sentir-se correspondido é algo que nunca deveria ser uma coisa complicada. Vc gosta de uma pessoa X e ela gosta de você. Isso é sempre o suficiente. Não importa se estamos falando de uma grande amizade, de dois colegas de trabalho que curtem passar um tempo juntos ou de um casal.

Se você se esforça demais para perceberem a sua presença. Se mesmo estando perto da pessoa você se sente sozinho porque sua existência é desconsiderada. Se não pode ser sincero, falar o que pensa ou acha sobre as coisas, é obrigado a fingir que tá tudo bem mesmo quando se sente mal ou tem que fazer muita força para ser o que não é além de você mesmo. Olha deixa eu te dizer uma coisa: não é assim que funciona. E talvez assim como eu, você também vá se enganar até perceber isso.

Acho que esse é meu conto de Natal… Queria mesmo que tivesse sido só um conto.

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