A nova temporada da vida real… 

Nós passamos uma parte da nossa vida assistindo a séries de TV e filmes comparando situações que acontecem lá com o que rola em nosso cotidiano. Afinal um roteirista criou um conjunto de recortes que se assemelham com dramas que vivemos no dia-a-dia.
Sendo assim, eu lembro que no meu trabalho quando alguém passava por algum problema de saúde, romântico ou financeiro costumavam soltar um “essa nova temporada já começou muito boa”; e quando apareciam pessoas novas soltavam um “os novos personagens e as intrigas já estão se formando”. E eu achava tudo isso engraçado na verdade.

 

O único problema com seriados é que a passagem de tempo acontece muito rápido. No seriado para que horas, dias e anos se passem é só deixar a tela preta e acender novamente colocando o letreiro: “xis horas, xis dias ou xis anos depois” e pronto.

 

Na vida real a coisa toda tem que se desenrolar de maneira natural e a passagem do tempo demora o tempo que precisa (haha).

 

 

Enfim, o seriado da minha vida já passou por diversas temporadas. Algumas delas muito boas e outras bem ruins. Em uma terminei o namoro, em outras ganhei dinheiro e até viajei o mundo.

 

 

 

Mas e a nova temporada da vida real como está? 

 

 

Pois é. Nesta nova temporada as coisas estão bem diferentes. Depois de ter perdido o emprego, eu resolvi que era hora de agir e cuidar da minha saúde. Lembro da minha mãe me dizendo que se eu ficasse alguns meses na casa dela emagreceria horrores. Me mudei por uns meses aqui para Fortaleza de onde consegui sair dos três dígitos da balança (To com 95kg agora!).
Até aí tudo parece uma maravilha. Me sinto feliz com o que estou fazendo, mas triste com outras coisas…

 

 

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Quantos pensamentos cabem em 140 caracteres? 

Outro dia eu estava pensando exatamente isso…
Depois de 4 anos mexendo e trabalhando alucinadamente com redes sociais vejo que elas não só mudaram o jeito das pessoas se comunicarem, mas acabaram mudando o meu jeito de ser como pessoa.

 

 

 

Quando comecei a mexer no twitter há uns 7 anos o fazia pelo PC apenas. Lia comentários de amigos, postava fotos com Twitpic e lia notícias. A minha exposição às redes sociais era de algumas poucas horas por dia.

 

 

 

Com a chegada dos aparelhos celulares com internet nos tornamos mesmo a geração da validação. Uma grande maioria das pessoas escreve seus pensamentos hoje em dia na esperança de que muitas pessoas leiam e comentem. Disputamos as melhores mensagens, somos algumas vezes até preconceituosos, exagerados e escatológicos. Tudo na busca de chamar a atenção da Time Line.

 

 

Quando estamos de acordo com algo, mas não queremos fazer parte da discussão retuitamos pensamentos como se fossem nossos.

 

 

4 anos mexendo com isso e já estou acostumado entre uma conversa e outra em um bar com amigos para tudo sacar o celular e mandar mensagens, fotos e vídeos por twitter, facebook, Snapchat e sites de mensagens como Whats App e Telegram. É muita coisa, toma muito tempo e as informações vão pra onde? São para quem?

 

 

 

Eu tenho uma baita sorte de conhecer pessoalmente boa parte dos meus amigos nas redes sociais o que os faz se chocarem menos com a maneira como faço as coisas.

 

 

Na semana passada conversava com uma amiga que me chamou de “Psicopata das redes sociais” porque eu sabia exatamente quem não estava me seguindo e me irritava com quem não respondia.

 

 

 

Uou! Pera lá! Nessa hora comecei a pensar “e se eu me afastasse disso tudo como me sentiria?”.

 

 

 

E cá estou tentando tomar a pílula que me despluga um pouco dessa Matrix. E Morpheus  estava certo em algumas coisas.

 

 

 

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É bom se libertar da mania da espera por validação. Você fica muito menos ansioso se  percebe que não precisa tweetar pro mundo tudo o que acontece a sua volta.

 

 

Nos primeiros dias sem tweetar, todos os meus pensamentos tinham 140 caracteres. Juro! Tudo era condensado em uma micro mensagem usando gírias da própria rede social!

 

 

 

Por outro lado sinto falta da interação com amigos que não conheço pessoalmente. Gente de outros Estados e países que de vez em quando iam lá responder a minha arroba e me fazer rir.

 

 

 

Interessante que durante estes últimos dias me senti bastante sozinho e vazio aqui onde estou. Essa seria a hora certa de “reclamar muito” no site mundial da reclamação, mas eu decidi simplesmente não faze-lo.

 

 

 

É curioso estar aqui em Fortaleza sabendo que toda a sua vida está em SP. Fiquei homesick de um jeito bizarro. Aliás homesick é o nome que os viajantes dão para pessoas que sentem vontade repentina de voltar para casa. É como uma doença mesmo. De repente você sente que quer rever seus amigos, que precisa conversar com todo mundo, ganhar um carinho, comer aquele hambúrguer, ir ao teatro, beber naquele bar de sempre e dormir na sua própria cama!

 

 

Até no Japão quando morei por 3 meses me senti homesick uma vez por dois dias. Aqui a coisa tá demorando um pouco mais a passar, mas já consegui entender o motivo.

 

 

O primeiro deles é a mudança de ritmo. Em SP é tudo frenético e as coisas sempre acontecem para ontem. Deixar essa vida por 8 meses enquanto tento ser o homem que quero de verdade parece loucura… E as vezes me pego pensando: “Caramba o que eu ainda to fazendo aqui?”. É como se eu tivesse pisado no freio, parado o carro no meio do caminho, descido e começado a empurrar sozinho.

 

 

 

Mas sei que a mudança de ritmo é muito importante para o que eu estou fazendo. Emagrecer e entender o que preciso pra continuar assim leva tempo mesmo. Então vejo tudo como um Boot Camp. Resolvi sair da minha zona de conforto pra viver isso. Ao invés de estar passeando pelo mundo decidi estar aqui pra melhorar meu corpo porque sei que nada vai sair do lugar até eu voltar.

 

 

 

E não estou sozinho na verdade. Tenho muitos amigos, mas sou sim sozinho nesta realidade. E talvez eu mesmo queira isso. Tudo faz parte de uma jornada de auto descobrimento da pessoa que eu fui, sou e quero ser.

 

 

O lance de me sentir vazio vem de algumas coisas que esperava que acontecessem e que me frustrei quando vim para cá. Mas quanto a isso não tem jeito porque a vida segue o ritmo dela e o tempo não cura feridas na velocidade que a gente quer.

 

Acabei achando que conseguiria reatar uma amizade que tinha perdido pelas duas razões mais idiotas possíveis: brigas e distância. As coisas até andam caminhando bem, mas ainda não senti que estão 100% de verdade.

 

 

E talvez nunca estejam, já que a vida das pessoas funciona em ritmos e espectros completamente diferentes. Em um minuto as coisas são boas no seguinte elas mudam completamente. Não dá pra zerar o relógio e voltar pro começo e tentar consertar sozinho uma coisa que não depende só de um pra se resolver.

 

 

Na minha insatisfação, eu fui buscar resposta em algumas frases ditas por mestres budistas:

 

 

“O segredo da saúde da mente e do corpo está em não lamentar o passado, em não se afligir com o futuro e em não antecipar preocupações; mas está no viver sabiamente e seriamente o presente momento” – Sakyamuni 

 

“Nem teus piores inimigos podem fazer tanto dano como teus próprios pensamentos” – Buda

 

“Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar” – Dalai Lama

 

 

 

Eu acho que estava pensando demais no passado e imaginando demais o futuro. E esquecendo de viver intensamente o presente.

 

Enfim, vou mesmo manter meu foco nas coisas que vim fazer aqui, viver todas as novas experiências que surgirem e deixar para trás o que tiver que ficar.

 

Ah e volto para o Twitter assim que puder, mas vou em um ritmo diferente.

 

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Shelton disse:

    É Renato, deixei pra trás um perfil com quase mil conexões pra ficar com um que não tem nem quarenta, mas são estes quarenta que posso e quero ter a chance de dar um apertado e caloroso abraço, dos quais metade já tive a oportunidade. O ritmo de Fortaleza é mesmo leve, como o balanço do mar, mas também pode ser fúria e calor, visceral, quase infernal, dependendo do ano, do tempo ou das pessoas. Fique o tempo que puder, deixe o que for bom e leve com você a leveza de estar bem. Volte quando sentir falta da leveza e do calor, seja do sol ou das pessoas, volte quando sentir que for a hora de puxar o freio de mão. ; )

    Curtido por 1 pessoa

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