Horizon Zero Dawn: Nunca um mundo pós-apocalíptico foi tão bonito

Desde a E3 2015 que eu estava esperando! Sim amigos, o hype me pegou, assim como pegou você e tantos outros! Felizmente para os amantes do “RPG de ação em mundo aberto” Horizon chega e atende as expectativas.

É considerado um RPG de mundo aberto porque segue uma história complexa em um mapa enorme para ser explorado e a mecânica é aquela de um jogo de ação com batalhas  abertas e que dependem tanto de sua habilidade no controle quanto de sua inteligência na hora de selecionar armas e itens.

A minha jornada com Aloy durou cerca de 52h, inúmeras missões principais e secundárias e cerca de 71% do jogo completo. E ainda deixei um monte de colecionáveis e “áreas corrompidas” pra completar quando tiver tempo.

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Terminei o jogo com essas estatísticas

Bolar o que seria Horizon Zero Dawn tomou cerca de 6 anos da Guerrilla Games, estúdio holandês adquirido pela Sony em 2005.  A premissa inicial era simples: “Queríamos fazer um jogo com dinossauros robóticos em uma natureza exuberante” disse Hermen Hulst, diretor do estúdio em uma entrevista ao IGN Brasil abaixo.

O problema de tentar criar algo assim é encontrar a coerência entre cada um destes elementos e unir uma história e uma mecânica de jogo cujo resultado final seja satisfatório. Convenhamos, sem um bom tempo de desenvolvimento esse jogo poderia ter sido uma bomba.

Mas ainda bem que não é esse o caso. Horizon Zero Dawn te leva em uma jornada com a personagem Aloy que nasceu em meio a tribo Nora criada por um exilado chamado Rost. A tribo vive no Enlace, uma região considerada sagrada, onde se sentem abençoados por uma deusa, a Mãe de Todos. Guerreiros Nora chamados Valentes cuidam das fronteiras da região para prevenir ameaças. E essas ameaças são outras tribos e robôs, muitos robôs. Sim, de uma maneira misteriosa, o mundo foi dominado por animais robóticos que nos últimos 15 anos se tornaram mais e mais violentos e ameaçadores.

O seu papel nesta história é descobrir porque Aloy e Rost foram isolados no Enlace e o que diabos aconteceu com a humanidade.

Apesar dos humanos viverem numa espécie de “Era do Bronze” fica claro para nós jogadores que estamos na Terra depois do apocalipse, já que é possível ver ruínas de grandes cidades abandonadas, prédios, placas de trânsito e carros fossilizados em meio a natureza. A Aloy não sabe onde está, mas o jogador sim. É com isso que a Guerrilla brinca e sabe  como manter o mistério deixando o jogador compelido a desvendá-lo.

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Olha o nível de detalhes deste jogo! Essa foto eu tirei no modo Fotografia, enquanto ela corria dos bichos!

Visualmente o game é um espetáculo. O “mundo aberto” é realmente riquíssimo em detalhes e o escopo de tudo é gigantesco. Algo tão bonito assim no PS4, eu só tinha visto em Uncharted 4 que tem uma “área de jogo” infinitamente menor. Fora isso, o design dos robôs são incríveis e realmente ameaçadores.  Este é um daqueles games que dá para ver a diferença visual usando um PS4 Pro e uma televisão de 4K. É sério, vai por mim! É impressionante.

No menu de pausa ainda tem o Modo Fotografia onde você pode registrar os momentos que te chamarem mais a atenção. E rende umas fotos iradas!

Uma mecânica sem muitos segredos

A Guerrilla Games é conhecida por jogos de tiro em primeira pessoa. Ela é a produtora da franquia Killzone e também do recente para PlayStation VR, Rigs. A produtora sabe fazer jogos neste estilo, mas ao se aventurar em um RPG de mundo aberto eles tiveram que contratar pessoas especializadas em fazer isso. No quesito jogabilidade, eles escolheram ir pelo caminho mais seguro se baseando em tudo aquilo que deu certo em outros games do mesmo gênero. Por isso não espere nada de muito inovador, pois eles não reinventaram a roda aqui. Há uma árvore de habilidades, modificação de armas, recursos para montagem de munição e por aí vai. Dá pra citar uma lista infinita de games anteriores que foram aperfeiçoando estes mesmos elementos de gameplay usados em Horizon.

Bom, só pra citar um temos The Witcher 3, o game mais premiado de 2015. Um amigo meu terminou a aventura de Gerald e foi jogar Horizon. Achou igual…rs… Em termos de “controle” é muito parecido mesmo, mas obviamente a ambientação e história são completamente diferentes.

Dá pra entender se você pensar que para conseguir o escopo que eles precisavam com a história era melhor ter uma mecânica sólida sem ter que inventar muito.

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Esse povo “ficando” na Era do Bronze!

No entanto, o brilho da jogabilidade está nas batalhas contra os animais e dinossauros robôs. A partir do momento em que um bicho é alertado sobre sua presença, ele automaticamente avisa aos outros. É preciso evoluir armas primitivas e entender as fraquezas de cada fera para ser bem sucedido. Mesmo jogando com Aloy no nível 40 tenho dificuldades se não prestar atenção com quem estou me metendo. As batalhas são viscerais e as criaturas não são apenas robôs andando por aí, elas estão fortemente armadas com metralhadoras, canhões, lança-chamas e por aí vai. E você lá com seu arco e flecha torcendo pelo melhor.

Olha o tamanho deste falcão de metal!
Olha o tamanho deste falcão de metal!

Por exemplo, para derrotar uma topeira robô gigante (Britadeira) é preciso usar munição lacerante em suas patas para que ela não fique se enterrando toda hora. Do lado de fora, flechas com pontas de resfriágua, um líquido congelado, para imobilizar a presa. Enquanto a topeira estiver no subsolo não se mexa. Se você correr de pavor, ela vai “ouvir” seus barulhos e aparecer bem onde estiver lhe causando um dano considerável.  Percebe o volume de estratégia? Pois bem, é assim o jogo todo. Não dá pra meter o louco não!

Acho que deu pra reparar que o estilo de combate é muito mais focado em atirar do que em golpear os robôs. Usar a lança como arma na batalha é secundário, você nunca vai querer estar próximo demais de um monstro de metal. Não é um hack’n slash, por isso que a função de golpear ficou nos botões R1 e R2.

Empoderamento feminino e igualdade de gênero, raça e religião

Eu acho que esta é uma das grandes mensagens que este jogo leva para todos.

A jornada de Aloy é a mesma de tantos outros em jogos baseados no conceito do monomito chamado também de “A Jornada do Herói”. Criada por Joseph Campbell, o conceito está presente na maioria dos mitos. Basicamente, ele diz que a narrativa da evolução de um personagem para se tornar um herói acontece em três partes: partida (em uma jornada), iniciação (evolução no caminho) e retorno (quando volta pra casa com aquilo que aprendeu).

Aloy é uma garota que sai em uma aventura em busca da verdade. Ela sai de uma posição onde é rebaixada, maltratada e desconsiderada em uma sociedade que a oprime para procurar seu valor e o encontra. Ela é mais uma personagem forte dos games e acho que só isso já a faz muito importante para todos os tipos de jogadores.

Eu não quero entrar em detalhes até porque não entendo tão bem, mas deixando a militância e a chatíssima parte política de lado, a ideologia do feminismo tem o objetivo de dar direitos iguais a homens e mulheres. E isso é tratado no jogo de forma muito bacana, onde os temas transitam entre os personagens, mas NUNCA são enfiados goela abaixo de quem joga. Assim também acontece com raça e religião durante o jogo. A postura de Aloy em relação as religiões no game é cética, mas em nenhum momento ela desrespeita ninguém.

 

Durante o jogo encontrei uma personagem transgênero,  Janeva. Assista ao diálogo acima. Ela escolheu ser soldado e entrou para o exército ganhando o respeito dos outros. Este é o único momento em que ela cita isso.

Curiosidades curiosas

Uma das coisas que achei interessante enquanto jogava Horizon Zero Dawn é que a protagonista tem a voz feita por Ashly Burch, uma youtuber americana gamer super legal. O canal dela tem 280 mil inscritos e ela faz com a família uma série chamada “Hey Ash, Whatcha Playin’?”, uma paródia sobre jogos de videogame. É muito bom!

Ela atua e conforme foi ganhando fama no mundo dos games acabou indo para o ramo de dublagem e já fez um monte de vozes, mas Aloy é a protagonista de um título AAA, o que quer dizer que o trampo dela é mesmo muito competente.

 

Enquanto a Ashly dá voz a personagem, a atriz holandesa Hannah Hoekstra empresta o rosto a Aloy. Olha só!

Além disso, li que um estúdio brasileiro chamado Kokku ajudou a criar algumas das feras metálicas e ambiente do jogo. Dá até orgulho de saber que temos profissionais tão competentes a ponto de irem parar em um título tão grande quanto este. Você pode ler a notícia aqui.

Outra coisa que me chamou atenção é que a Kojima Productions vai usar o motor gráfico de Horizon Zero Dawn para fazer seu mais novo game Death Stranding. Chamado de Decima a ferramenta de programação foi usada para criar todos os detalhes do jogo e integra-los. A notícia saiu no blog da Guerrilla aqui.

Reclamações de Cusão

Tá, o título é um palavrão, mas este é um blog então posso usar de vez em quando né? Me perdoem, na verdade essa é a parte em que eu falo o que me incomodou no jogo e sei que para uma grande maioria das pessoas nada do que disser aqui vai ser um grande problema. E bom, pra mim também não influenciou tanto na experiência, mas poderia melhorar…

Bora lá…

Primeira: caramba como esse jogo tem informação na tela. Apesar de visualmente incrível existem 6 coisas na tela que ficam lá constantemente. E pelo menos a mim incomodou! E olha que tenho uma tv de 40 polegadas.

Segunda: não tem como travar seu campo de visão em um único alvo. Basicamente não existe um jeito de travar a mira naquele adversário que já está com o life no talo. O jogador tem que correr mesmo de um lado a outro fugindo de tudo e de todos até acertar. Particularmente, eu acho que tiraram isso já que TEM TANTA COISA NA TELA.

Terceira: Para pegar itens o botão triângulo precisa ser apertado e segurado por um período curto de tempo. Mesmo assim, algumas vezes o jogador está “na correria” e só quer pegar algo enquanto foge de um bando de animais robóticos ensandecidos, mas não rola.

Quarta: Uma coisa que estes jogos deveriam herdar de The Witcher 3 é a de criar uma continuidade nas missões secundárias (side quests) de maneira que uma escolha tomada tenha um reflexo maior na aventura principal. Em Horizon existe uma conexão, mas poderia ser melhor. Acredito que isso vai melhorar no próximo!

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Em Horizon você pode escolher como Aloy vai responder, mas isso não influencia na história

Bugs: tem poucos… é quase uma piada. Quando você compra o título ele pede uma atualização de 260 mega. O jogo bugou comigo três vezes e em um deles a minha montaria, o “Galope” acabou em um “Pulsão Pugnático” (me refiro ao vídeo do Gaveta!)

Deixando as brincadeiras de lado, Horizon Zero Dawn é um game incrível e acho que se você é um daqueles aficionados por títulos neste estilo vai gostar muito. Definitivamente Aloy já entrou pro panteão de personagens famosos dos exclusivos da Sony junto com Kratos, Crash e muitos outros.

Ah, depois que terminar o jogo e passar todos os créditos não esqueça de assistir a cena extra.

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