Um futuro terrível o aguarda em The Surge


Quando falamos de jogos que usam mecânicas semelhantes a Castlevania ou Metroid chamados de Metroidvania. Quando fazemos isso com jogos de geração aleatória de fases dizemos que ele é um Roguelike, por causa de Rogue. E quando sugamos aquela inspiração gostosa de mecânica e gameplay dos jogos da série Dark Souls nós chamamos de que? É uma dúvida real caro leitor. Eu realmente não sei. Só sei que The Surge é mais um desses RPG de ação que bebe da fonte.

Desenvolvido pela Deck 13, The Surge traz os mesmos princípios de mecânica e comandos criados na série Dark Souls da From Software, ou seja prepare-se para um jogo que não vai trata-lo como criança e sim como o jovem adulto que eu sei que você é.  Curiosamente a Deck 13 é a desenvolvedora de Lords of The Fallen, cujo gameplay também foi inspirado nos jogos da franquia japonesa.

Se você nunca jogou nenhum DS lhe aconselho a pelo menos experimentar. Você ouve todo mundo dizer que é difícil, que é uma sofrência só, mas quem joga ama de paixão porque não é preciso apenas seguir a história, mas tem que ter técnica no manejo dos controles, saber escolher itens e fazer uma boa estratégia. É um game que exige habilidade de quem controla. Pode até soar estúpido da minha parte, mas acho muito que DS trouxe para o mundo dos games o nível de dificuldade que havia em alguns jogos da era 8/16 bits.

The Surge agarra com suas mãos metálicas toda essa inspiração e a traz para um futuro distópico, onde o jogador interpreta Warren, um aspirante a operador de exoesqueleto, seguindo em um trem para a sede da CREO, uma misteriosa, ultramoderna e multibilionária empresa que contrata muita gente com o intuito de criar inovações para salvar a humanidade, assolada por guerras e por catástrofes naturais. Ao desembarcar do trem, Warren logo escolhe o tipo de exoesqueleto que quer usar e depois é levado a uma sala de cirurgia onde desmaia ao passar por uma dolorosa operação mostrada a você nos mínimos detalhes em um cena em CG horripilante.

Então, nosso herói acorda jogado no chão em meio a um ferro-velho com apenas uma parte do que seria instalado. Não demora muito para que ele perceba que todas as máquinas da CREO ficaram malucas, exoesqueletos passaram a controlar seus usuários agressivos e robôs se tornaram assassinos em potencial. Cabe então a Warren que aparentemente não foi afetado pelo que aconteceu no complexo descobrir o motivo para tal. Detalhes no cenário, gravações, emails e conversas com sobreviventes vão aos poucos lhe dando pistas sobre o que de fato aconteceu e tornam a história previsível aos olhos do jogador.

Só que é ao explorar cada uma das fases que o brilhantismo da mecânica “DarkSoulsLike” aparece. A primeira fase é praticamente um tutorial explicando a você como sobreviver aquele mundo e te mostrando uma variedade incrível de itens, armas e poderes que podem ser combinados para desenvolver seu personagem. Pegar qualquer arma e correr pra cima do inimigo não é opção. É preciso escolher o armamento certo e moldar o exoesqueleto com upgrades construídos a partir de projetos encontrados para aguentar golpes de tipos específicos de adversários. Há claramente um limite para o que o jogador pode carregar e para aumenta-lo é preciso evoluir o núcleo de energia recolhendo sucata. Cada tipo de exoesqueletos, armas, drones e plugues cibernéticos fazem a diferença. Por exemplo, apesar da defesa alta e do dano que possam causar uma arma grande, elas são pesadas e deixam Warren lento. Se o inimigo for ágil, o jogador vira presa fácil, por isso é preciso fazer escolhas na hora de equilibrar seus acessórios.

A diferença na mecânica de combate de The Surge para a de Dark Souls é que existem alguns pontos que facilitam minimamente a vida do jogador, pois existe a possibilidade de ao localizar um inimigo, poder escolher o foco de seu ataque. Assim, Warren pode explorar fraquezas de seus adversários e em alguns casos subtrair deles armas ou itens necessários para sua sobrevivência. Subtrair é uma palavra sutil, mas na verdade Warren desmembra dos inimigos aquilo que precisa usando golpes de finalização.

No lugar das poções dos reinos de magia, em The Surge temos implantes. Com número de slots limitados cada implante gera uma reação diferente no personagem. Alguns podem ampliar a vida ou a barra de vigor físico, enquanto outras são ativadas através de uma barra de energia para aumentar dano, defesa, ativar drones ou recuperar energia. A combinação de tudo isso é importante para poder prosseguir.

Outro ponto interessante dessa mecânica darksoulzística são os cenários. Não há mapas indicando para onde é preciso ir, mas existem áreas enormes que se interligam por túneis, escadas, elevadores e muitos atalhos. É sensacional. Quando você acha que está perdido vai lá e abre uma porta chegando ao mesmo local de onde saiu. Sabendo o caminho e onde estão os inimigos fica fácil acumular sucata e evoluir seus níveis de força até chegar ao chefão. Ao final de cada fase Warren precisa derrotar um robozão, sendo que cada um deles varia entre estilos de ataque. Para derrota-los é preciso estudar seus pontos fracos, equilibrar armas e implantes para aprender a driblar as variações de golpes. Ou seja, uma tarefa árdua para quem não desiste fácil.

Apesar de The Surge se parecer com uma cria “modernosa” da série Souls  o título toma a inspiração para si e ganha sua própria personalidade marcada por uma história com qualidade gráfica e fluidez. É um título que vale a pena se você curte jogos desafiadores e tem como gastar pelo menos 40h para tirar Warren da enrascada em que se meteu.

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