Bolinhos japoneses e a Rede Social

Bolinho de arroz com bacon, queijo, raspas de peixe e algo do Twitter!
Bolinho de arroz com bacon, queijo e raspas de peixe que veio do Twitter!

fonte: Rinkya Blog

Nesta segunda-feira (6), eu fui assistir o filme A Rede Social (Social Network) que conta a história do Mark Zuckerberg, o garoto que criou o Facebook. O filme mostra os processos que ele levou de um grande amigo e de outros alunos de Harvard que alegavam ter participação na criação do site. E o mais interessante é que cada um tem sua parcela na criação, e cada um foi correndo atrás do que era seu. E cada um recebeu aquilo que deveria.

O mais interessante é que CADA UM RECEBEU AQUILO QUE DEVERIA!

O filme é muito bacana e você percebe no final dele se você tem espírito empreendedor ou não. Se saiu de lá com o pensamento: “Ah, esse filme é bacana, mas é só mais um filme!”, desculpe amigo, mas você nasceu para ser funcionário. Agora se saiu de lá: “Nossa, eu já passei por uma coisa parecida. Eu preciso criar alguma coisa hoje mesmo!”, então você tem um algo mais que as pessoas outras pessoas não possuem que é a vontade de ter algo próprio e de deixar algo para a sociedade.

No cinema fui eu e um amigo, e nós literalmente podíamos identificar paralelos entre os personagens do filme e gente que conhecemos ou com quem trabalhamos. Era impressionante.

Em cada empresa que eu passei acabei por deixar muitas das minhas ideias que se mostraram valiosas e úteis, no final eu recebia um belo tapinha nas costas. Sem aumento, sem promoção e sem ter uma parte da responsabilidade pela ideia.

No Brasil passamos por isso direto. Você tem uma boa ideia, mas se está sozinho e tenta apresentar a alguma empresa, ela simplesmente o descarta ou copia na cara larga sem nem dar-lhe os créditos. Se você trabalha na companhia e eles aproveitam a sua ideia ganham muito dinheiro as suas custas e nem em sonho pensam em dividir com você.

Essa mentalidade maravilhosa vem dos tempos da ditadura quando ter ideias e querer fazer coisas diferentes era considerado subversivo. Aprendemos a queimar livros como Hitler e a odiar leitura. O brasileiro em si não sabe os seus direitos e prefere ficar calado ao invés de colocar em prática. Existem exceções  a regra obviamente, mas no geral a coisa acontece assim. Temos pessoas geniais que não tem chance de mostrar nem 10% daquilo que sabem.

Como exemplo posso citar os dubladores brasileiros que fazem as vozes de personagens famosos e não recebem um centavo a mais por isso. E se reclamarem são trocados sem motivo. Um dos exemplos mais banais é o dublador do Homer que foi trocado umas três vezes. Em todos os casos, os atores decidiram cobrar mais da Fox que se recusava a dar mais. E aí um outro ator morto de fome que não pode recusar trabalho ia lá e substituía o amigo. Nos EUA isso nunca aconteceria e se acontecesse renderia um processo milionário por conta dos direitos sobre a voz do ator original que é uma parte importantíssima dos personagem. No Japão dubladores só são trocados quando morrem.

Outro exemplo interessante são os tradutores de Harry Potter em diversos lugares do mundo onde a justiça faz sentido. No Japão, a tradutora das aventuras do bruxo é tão reconhecida quanto a autora. E recebe uma porcentagem gorda da venda dos livros, afinal se ela traduziu e localizou possui os direitos de co-criadora. No Brasil isso não existe.

Nos pouquíssimos países que conheço me parece que a lei é levada a risca. E me parece também que ideias são levadas em consideração. Aí chegamos ao bolinho de arroz (Oniguiri) aí em cima.

Oniguiri é um bolinho de arroz feito de algas comumente recheado com atum, raspas de peixe seco ou ume (uma ameixa azedona). É um prato típico japonês muito apreciado diariamente. Eu poderia dizer que é o “pão francês” dos japoneses. Você acorda de manhã e manda logo uns dois. O bolinho é vendido em todos os lugares.

A indústria japonesa está sempre tentando se superar, agarrando ideias e as transformando em realidade, sendo elas boas ou não. O Oniguiri da foto acima é um exemplo disso. A rede de lojas de conveniência Family Mart resolveu fazer uma pesquisa no Twitter pedindo aos internautas que criassem sabores de Oniguiri que eles iriam colocar nas lojas da rede. E assim nasceram várias sabores estranhos como o “Bacon com queijo e raspas de peixe seco” da imagem acima. O sabor de repente pode não ser dos mais agradáveis, mas a ideia é certamente genial. Você move uma comunidade inteira e as leva para dentro da loja de conveniência para provar o sabor que ela criou. Eles falam para amigos, parentes e conhecidos que também comprar o produto e aquilo vira um sucesso de marketing. Pode até mesmo não vender horrores, mas mexendo com a internet a empresa colocou um monte de gente dentro das lojas. E lá dentro não importa mais se o cara quer um Oniguiri desses ou uma Coca-Cola. As vendas aumentam. Agora me vem a pergunta. Vendo um japonês fazer isso, todo mundo acha a ideia muito boa. Se um brasileiro tem essa ideia no Brasil, ele seria ouvido?

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1 comentário Adicione o seu

  1. é maan.. as coisas aqui no Brasil tão caóticas… …ôpa, terminou de imprimir aqui o plano de negócios do sebrae =D

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