Crítica ao exagero na cobertura do desastre no Japão

Eu acabei de ver este vídeo no Facebook de uma amiga e não poderia deixar de comenta-lo aqui. Desde o dia 11 de março que somos informados pela mídia sobre a tragédia do Japão com o terremoto, Tsunami e agora a ameaça de vazamento de radiação da usina nuclear de Fukushima. O que a maioria das pessoas que procuram informações não sabe é que a mídia internacional anda exagerando muito na cobertura. Eu tenho a sorte de poder ler as notícias em inglês e japonês, além do português, mas sinto pelas pessoas que não podem. Infelizmente, o jornalismo sofre da doença do sensacionalismo, ou seja, mesmo o assunto sendo muito sério porque não exagera-lo ainda mais a ponto de atrair mais leitores?

Além de canais de informação os meios de comunicação (revista, jornais, tv e rádio) também possuem a função de entreter e fazer dinheiro. É por isso que cada veículo aproveita, manipula e utiliza a notícia da forma que bem entende. Apesar dos estudantes de jornalismo serem educados a terem liberdade de expressão e jurarem apenas falar a verdade, nunca é isso que acontece. Um bom jornalista é aquele que além de fazer seu trabalho traz mais dinheiro a empresa jornalística. A desgraça vende. E vende muito.

Em uma das empresas que trabalhei ouvi de um editor assim: “…um dos melhores dias da minha vida será quando o avião da seleção brasileira cair em algum canto. Assim, podemos fazer muitas notícias e pôsteres em memória dos jogadores e tal. Foi assim com o Senna e com os Mamonas Assassinas”.

O que está acontecendo com o Japão e com a Líbia são desculpas perfeitas para exagerar nas notícias. A Líbia tem “ar de vilão” por conta de Kadafi, por isso se tornou um país cujo brasileiro médio aparentemente não se importa e sequer entende o que acontece. Agora rola uma afeição pelo Japão, por conta da imensa colônia de descendentes, do centenário da imigração, do samurai, sushi, sashimi, mangás, animes, etc.

Na semana passada eu li muitas notícias em vários idiomas e procurava repassar aos outros apenas as que considerava relevantes e formadoras de opinião. Tinha gente falando da explosão dos reatores, de uma catástrofe nuclear que destruiria a Califórnia, etc. As mídias brasileiras por sua vez falaram do único acidente que conhecíamos, o vazamento do Césio 137 em Goiânia. Cansei de ver a cena de telenovela da Globo mostrando o povo passando Césio na cara. Pior do que isso foi saber que os sobreviventes ganham um salário mínimo cada um.

Tudo isso que deveria informar, só serviu para deixar aquele povo que realmente precisava das notícias em pânico. E assim apareceram comentários de brasileiros fugindo do Japão as pressas, gente desinformada opinando o que não sabia, um jornalista chegou a falar “Vazamento de Plutânio” para rimar com Urânio. Infelizmente, acho que essa é a verdadeira catástrofe! Jornalismo ainda é o quarto poder?

Acabei de ver o Diogo Mainardi dizer na tv que os italianos são burros por não quererem usinas nucleares em seu país. E o cara mora em Veneza!

Não quero dizer que a catástrofe é menos importante, mas quando você deixa de dar a informação e exagera na explicação a tendência é desinformar. Esta semana todos viramos técnicos nucleares, por conta das revistas. A Veja mal sabia o que estava acontecendo no Japão e estampou uma capa: “A reconstrução do país após o desastre”. E a situação sequer havia sido resolvida, ou seja, sensacionalismo para ganhar leitores ávidos por notícias de veículos sérios.

A situação nos reatores ainda não se resolveu, apesar dos esforços dos técnicos chamados pela Band de “os 50 kamikazes de Fukushima”. Aliás, japonês nenhum quer ser chamado de Kamikaze, by the way! Ninguém que escolhe trabalhar em um local arriscado como uma usina nuclear quer ser comparado com pilotos suicidas da Segunda Guerra Mundial! Acho que é por isso que eles são anônimos.

Os brasileiros que estão aqui e tem parentes lá precisam ser informados corretamente. A situação ainda é perigosa em relação ao vazamento radioativo, mas tudo tende a se resolver no decorrer desta semana. E como essa informação já ficou “chata e velha” a mídia pulou para a visita de Obama ao Brasil e ao ataque a Líbia, o novo “grande vilão” do mundo.

Enfim, o vídeo acima mostra alguns exageros na tv inglesa que são interessantes e até engraçados, como o comercial da tragédia que usa o mesmo som de fundo de outro comercial sobre uma série de fantasia. Ou o cara usando M&Ms em uma panela para ilustrar os reatores nucleares. A gota é mesmo o comentário no twitter do rapper 50 Cent dizendo que tem que “tirar todas as suas putas de LA, do Havaí e do Japão”. Cada uma dessas informações tem os comentários de Charlie Brooker que apesar de exagerados são extremamente pertinentes.

Ele termina dizendo: “Até a semana passada eu não tinha a mínima ideia do que eram millisieverts (medida de radiação), mas hoje estou duas vezes mais apavorado do que imaginar o Darth Vader grudado a um tubarão. Mas mais do que isso, eu não sei se eles estão exagerando ou não. Tudo o que sei é que estou tendo teoria nuclear avançada sendo explicada por pessoas que na semana passada sequer sabiam qual era a cor do vestido de Kate Middleton!”

*A Kate Middleton é a noiva do príncipe William.

 

 

 

2 opiniões sobre “Crítica ao exagero na cobertura do desastre no Japão”

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