A Morte Me Choca…

em

(Deitado no escuro…)

A morte me choca.

Pra tudo na vida tem solução. Para problemas financeiros, para o fim de um relacionamento, para a agonia de não saber como será o futuro, para um vício, etc… Mas para a morte não.

Eu não tenho medo de morrer, assim como imagino que você também não tenha.

Dizem que para morrer basta estar vivo. E para não ter medo da morte, basta viver intensamente. Basta não se arrepender de ter feito tudo o que sente vontade. De ter coragem de fazer a coisa certa, de saber lidar com rancor e resolver os arrependimentos. De viver do jeito que se quer alcançando os objetivos e vencendo os obstáculos que colocamos para nós mesmos. (Acredito que ela tenha sido assim…)

É por isso que é tão dolorido quando sabemos da morte de alguém. Mesmo as que conhecemos pouco. Não precisa de muito para que nossas cabeças se encham de perguntas… Será que estava feliz? Deus porque tão jovem?…

Saber da morte é dividir um pouco da dor dela. Sim porque acho que a morte dói muito. Eu acho que a morte é a última grande dor que você vai sentir na vida. Quando ela chegar, só resta saber se teremos coragem de suporta-la da melhor maneira possível.

Para quem fica, a dor da perda, a dor da não presença, a dor da saudade é o que resta. E essas dores existem para serem aprendidas e absorvidas. Quem já se foi não sente mais nada, é por isso que costumamos dizer que se pudéssemos nós trocaríamos a qualquer momento com aquele ente querido que se vai. Quem fica é que precisa aprender a lidar.

Eu sou muito emotivo, por isso que a morte me afeta tão profundamente nesse sentido.

Aos 25 anos ela já viveu 10 anos a menos do que eu. Em um ambiente com 100 pessoas, na maioria das vezes não é possível conhecer a todos, mas certamente dá pra saber quem são e o que fazem.

Eu não a conhecia, mas certamente sabia quem era. A cumprimentava de manhã e algumas vezes antes de sair. Já trocamos emails de trabalho e falamos pouquíssimas vezes. Esta semana nos encontramos por acaso, estávamos no mesmo restaurante no almoço. Só um aceno de cabeça, um sorriso pequeno e um “oi” respeitoso. Sabia quem era.

Um acidente de trânsito. Ela era ciclista, tinha o porte de quem se exercitava mesmo. Um erro de um motorista desatento nas ruas malucas desta cidade e acabou.

Ficou a dor maior para os familiares e amigos. Da minha posição, de colega de trabalho, só consigo dividir um pouco das lágrimas e mandar toda a energia positiva que puder. Não tenho o direito de sentir o que as pessoas que a conheciam de verdade estão sentindo. E nada do que fale ou escreva vai ajudar a diminuir isso. Você se foi, mas a sua presença vai estar na lembrança e coração de todos por um bom tempo.

Falar da morte é um tabu. Ninguém quer saber, mas dane-se é importante falar dela e a qualquer momento qualquer um pode encontrá-la. O que resta é saber o que você vai fazer quando esta hora chegar.

20140704-201808-73088283.jpg

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s