Analisando a Comic Con Experience 2016

De 1 a 4 de dezembro tive a oportunidade de ir a minha segunda Comic Con Experience aqui em São Paulo e tive uma experiência diferente da que tive no ano passado.

Isso porque a organização do evento fez questão de corrigir muitos dos problemas que houveram na edição de 2015 quando São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (Antigo Imigrantes Exhibition & Convention Center) estava em reforma. Imagino que só de estar em reforma já era um problemão!

O ambiente espaçoso, staffs atenciosos, segurança, cadeiras de rodas para quem tinha necessidades especiais, faxineiras nos banheiros e ambulatórios estavam funcionando.  Em estrutura básica o CCXP 2016 atendia mesmo a todos os requisitos ( como organizador de eventos prestei atenção nisso também).

O auditório Cinemark que este ano possuía 3500 lugares ficou abarrotado os quatro dias com o público que queria ter acesso as novidades e ver seus artistas favoritos. O local em formato “stadium” dava visão a um palco bem iluminado e com sistema de som de primeira onde produtores, desenhistas, atores, produtores e artistas (nacionais e internacionais) se apresentavam com horários definidos. Renato Aragão, Maurício de Sousa, Vin Diesel, James Gunn e muitos outros fizeram a alegria do público.

Para que ninguém perdesse os horários existia um aplicativo para celular da CCXP, produzido pelo jornal Metro, e que funcionava muito bem avisando tudo o que acontecia na programação, além de possíveis alterações. Ah, mas tinha programação impressa também pra quem não tinha acesso a rede. Enfim, munido de informações, você podia ir onde quisesse.

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Aí temos os estandes formados basicamente por lojas vendendo toda a sorte de produtos para o público Geek como figures, brinquedos, pôsteres, roupas, canecas, chaveiro, livros, mangás, quadrinhos, óculos e toda sorte de produtos voltados para este filão.

Eu sempre digo que eventos deste tipo servem para criar o “frenesi de compras”. Ou seja, se reúnem no mesmo local um público e lojas que gostam de uma mesma coisa, o resultado são muitas vendas. E a data? Dezembro, pós chegada da primeira parcela do décimo terceiro e alguns dias antes do Natal época perfeita pra comprar presentes. Isso que eu to dizendo para você, leitor, todo lojista sabe, por isso é bom ficar sempre esperto com os preços na Comic Con Experience. Não é porque lá você só vai achar coisas mais caras, mas é porque existem lojas que aproveitam pra aumentar os preços lá dentro.

Já te digo que no final do domingão é possível negociar descontos em vários produtos. Basta você pensar que o lojista não tá lá querendo transportar toda a sobra de volta ao estoque ou que ele sabe que a CCXP é o único momento do ano onde todo mundo que gosta da mesma coisa está ali juntinho e querendo gastar.

Nos estande dos estúdios de cinema e produtoras haviam atrações que chamavam atenção para seus futuros lançamentos. Por exemplo, no estande de Assassin’s Creed era possível fazer parkour e ter a experiência de dar o famoso “salto de fé” marca registrada do jogo da Ubisoft, onde a pessoa subia até uma plataforma e caia lá de cima em um colchão de ar como os dublês de filmes de ação fazem. Muito legal!

Bandai trouxe a Tamashii Nations pro Brasil, uma exposição de brinquedos baseada em personagens de anime e mangá. O chamariz era mesmo a exposição das 12 armaduras de ouro feitas por um artista japonês baseado no “tamanho real” dos personagens, muito legal. E elas brilhavam tanto! Tinha gente embasbacada com aquilo.

img_1681Curioso também eram as empresas que descobriram o filão dos geeks e estão criando produtos para vender para este público. Minha menção honrosa para a Gilette que tinha uma barbearia “geek” e a Chilli Beans que trouxe pares de óculos com lentes que ajudavam a proteger os olhos da iluminação das telas de monitores e que você podia customizar com personagens da DC Comics, como Batman e Superman.

No centro da convenção, no “coração” da coisa toda estava o Artist’s Alley, um local especial onde artistas independentes e alguns profissionais vendem suas obras. A primeira vista parece um lugar comum, um mesão colaborativo cheio de desenhos pendurados e gente sentada em cadeiras simples. Não se engane! Aquele é um local mágico que merece ser visitado e respeitado, pois é ali que ocorre um grande networking entre artistas. É lá que você pode encontrar aquele autor das tirinhas que você vivem compartilhando nas redes sociais. É lá que você pode comprar prints de desenhos maravilhosos baseados em personagens que ama. E também é lá que são descobertos os novos artistas. Enfim, é um lugar incrível!

Comic Con Experience também é sinônimo de Cosplay! Aliás lá tem lugar para todos os tipos e estilos de cosplayers e “cospobres”. Em um concurso os ganhadores recebiam um carro zero como prêmio.

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A cobertura do sucesso

Um dos ganchos mais importantes da CCXP é a cobertura do Omelete. Os caras criaram um sistema onde documentam quase tudo o que acontece durante aqueles 4 dias. O povo do site trabalha muito, mas virtualmente o espectador não perde nenhuma informação importante. É incrível e posso dizer que este talvez seja um dos pontos fundamentais do grande sucesso do evento.

Antes mesmo dos analistas de marketing criarem o termo “influenciador” nas redes sociais, o Omelete já tinha lá seu time que era a cara do site. No começo eram apenas o Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel fundadores do site, mas depois o time aumentou com Carol Moreira, Bruno Silva, Thiago Romariz, Aline Diniz e Natália Bridi que foram descobertos na própria equipe de redação do site que tem muito mais gente do que você pode imaginar.

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Acho que combinar um grande veículo de comunicação e influenciadores com um evento deste porte é, para mim, a grande fórmula de sucesso da CCXP 2016. O hype criado este ano resultou em 196 mil visitantes nesta edição. O evento que demanda muito tempo e milhões de investimento demoraria alguns anos para “se pagar”, mas isso já foi resolvido nesta terceira edição.

Logicamente, a imprensa em geral também foi convidada para cobrir a CCXP, todo mundo cobriu um ponto importante da feira. Seja uma análise econômica, uma crítica, uma entrevista sobre um novo filme ou produto. O importante é estar lá para absorver tudo aquilo.

São 3 anos de CCXP e creio que o desafio agora é criar mais e mais parcerias, tentar trazer empresas para o lado geek da força e promover ao público cada vez mais motivos para continuar visitando.

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Nem tudo são flores…

Se você sair deste texto sem eu lhe contar sobre os problemas da CCXP, provavelmente vou ler comentários me xingando na próxima edição.

Eu tive a oportunidade de estar no evento como jornalista graças ao convite do Omelete, mas posso te dizer que com exceção da entrada livre e da sala de imprensa com internet, café e água posso me considerar público também. E posso te dizer que os maiores problemas que surgiram no evento vieram dos próprios visitantes e de alguns estandes.

Lotação

A começar pela lotação do evento. A quinta-feira da edição de 2016 (primeiro dia) tinha o mesmo público do sábado de 2015 (terceiro dia e feriado!). Daí você já consegue entender do que estou falando. De quinta a domingo progressivamente o público vai aumentando e com elas as filas das atrações, a fila das lojas e a lotação do auditório principal. E assim, um pagante despreparado acaba passando horas numa fila e logicamente sai reclamando disso. Uma dica: se você não curte muvuca e quer comprar coisas, prepare-se para ir no primeiro dia. Chegue cedo e aproveite. Se você quer descontos aí vai ter que enfrentar um domingo infernal quase estilo “rua 25 de março”.

Alimentação

Alimentação dentro do espaço de eventos é cara e não vai mudar porque é quase um “padrão” de convenções deste porte, mas você pode se alimentar bem do lado de fora e entrar no pavilhão numa boa. Tá com sede, mas não quer pagar 6 reais em uma água, leve uma garrafinha e encha nos bebedouros que existem por lá.

Internet

Se você usa a net do seu celular para postar fotos nas redes sociais saiba que com tanta gente acessando redes 3G e 4G dentro do pavilhão a rede morre e em alguns momentos fica difícil publicar seus conteúdos, responder mensagens e etc. O conselho neste caso é subir para o andar superior onde há o auditório Ultra para pegar a rede de fora. Bom, se alguma companhia como Tim, Vivo, Oi ou qualquer outra quiser participar poderia liberar um link direto pra ajudar o público.

Estandes

Os estandes estavam bem legais. As estruturas foram bem montadas e chamavam atenção só que elas não foram feitas especialmente pensando nas filas imensas que iriam se acumular do lado de fora. Atividades que tomavam muito tempo geravam horas de espera.

Além disso, haviam alguns promotores que não entendiam nada do que estavam fazendo. Se você quisesse se informar sobre algo, o próprio funcionário do estande não sabia no que estava trabalhando. Isso não acontecia em todo lugar, mas era tenso nos poucos que haviam.

Eu ainda ouvi um relato de um lojista que me disse que haviam outros vendedores entrando na fila dos “exclusivos da Iron Studios” que compravam as peças iam para suas lojas e remarcavam preços pelo dobro ou triplo porque sabiam que o público não ia mais conseguir comprar no momento que esgotasse. Triste.

Fora isso não gostei muito do barulho em alguns locais… Teve estande que trouxe dj, outro um palco de Just Dance e tinha até  bandas tocando rock do bom. Todo mundo disputando quem fazia mais barulho. Apesar de ter muita música boa, as vezes incomodava quando todo mundo queria sonorizar o evento ao mesmo tempo.

De bom e de ruim, a CCXP é o maior evento do gênero no país e vale a pena se programar para visitar quer você seja de São Paulo ou não.  O evento deste ano foi muito bom, emocionante e bonito. Nas próximas edições deve evoluir com muitas novas ideias e sugestões do público. É assim que acontece quando há uma ligação tão sentimental entre quem faz e quem frequenta.

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