Final Fantasy XV: curiosidades, teorias e tudo o que foi refeito

ALERTA! Esse texto vai tratar da história e das curiosidades de desenvolvimento do jogo e de tudo o que foi feito entre as mudanças que se deram a partir do momento em que soltaram que Final Fantasy Versus XIII seria portado para o PlayStation 4 e Xbox One como Final Fantasy XV.

Como este texto é voltado para quem já jogou o game todo, vai ter muito spoiler!

Fique avisado! Após o alerta abaixo estarei falando livremente do jogo, por isso não venha me xingar depois dizendo que eu não avisei!

 

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Há alguns dias escrevi meu primeiro post sobre Final Fantasy XV falando sobre “o que estava errado no jogo” e apontando aquilo que os mais deslumbrados não observaram nos primeiros dias do lançamento. Muita gente achou que eu não tinha gostado do jogo, mas não é verdade. É um game nota 8, mas ninguém aqui tá dizendo que 8 é uma nota ruim. Pra mim é ótimo na real. Preocupem-se se eu disser que o jogo é nota 5. 

Apesar de apontar as falhas e problemas fui a fundo na brincadeira e joguei mais de 100h do jogo realizando tudo aquilo que era possível fazer nele. E depois disso, a minha maior dúvida era: “Porque certas decisões dos produtores deixaram tudo vago. Porque não foram preenchidas as lacunas da história?”

Fui atrás de entrevistas, assisti a vídeos com teorias conspiratórias e li um tópico de um suposto programador que trabalhou por 14 meses na produção do jogo. As curiosas conclusões você confere aqui, mas antes disso vamos falar um pouco da história.

A história de Final Fantasy XV e tudo aquilo que você não entendeu…

Desde o momento em que empacotaram Versus XIII e o transformaram em FFXV, a história passou por profundas e intensas mudanças. O resultado final foi um enredo oficial que se estende por três mídias diferentes (o jogo, o filme e os animes).

No filme Kinsglaive: Final Fantasy XV somos apresentados ao reino de Eos e a batalha entre Nifheilm, um império dominado por máquinas ímbuidas de magia, as chamadas Magitek, contra o reino de Lucis, do soberano Rei Regis Lucis Caellum e cujo poderoso cristal que lhe foi entregue pelos deuses protege sua capital Insomnia com um escudo mágico.

Com o avanço de Nifheilm e as energias do Rei de Insomnia sendo sugadas diariamente pela manutenção do escudo, ele resolve aceitar a trégua proposta pelo chanceler do império Ardyn Izunia. Para que os imperiais aceitem a paz, o filho do rei, o príncipe Noctis Lucis Caellum deveria se casar com Lunafreya Nox Fleuret da região de Tenebrae também conquistada pelo império. Luna já havia sido prometida a Noctis por ser uma oráculo, ou seja a única pessoa que pode se comunicar e traduzir a vontade dos deuses para a humanidade.

Obviamente, o acordo de paz é apenas um pretexto para que Nifheilm consiga invadir a capital e assim dominar toda a região. Apesar de todos os esforços da tropa especial de Lucis, os Kingsglaive, não é possível salvar a cidade. O rei é morto, mas não sem antes entregar o anel que controla o cristal a Luna e pedir a ela que encontre Noctis na cidade litorânea de Altissia.

Prevendo uma catástrofe nas negociações com Nifheilm, Regis pede para três amigos levarem Noctis a Altissia. E assim começa a história do jogo.

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Altissia é uma cidade bonita pra caramba!

Um pouquinho da história destes três amigos, Gladio, Prompto e Ignis que ficam responsáveis pelo transporte do futuro rei são expostas nos animes oficiais disponíveis na internet.

 

gladioGladiolus Amicitia: é o que chamam em Lucis de “escudo do rei”. Ele é o irmão mais velho de uma família que por gerações cuida da segurança da família real. Gladio foi incumbido de treinar e proteger Noctis durante sua jornada por Eos. Em um dado momento do jogo Gladio pede “uma licença” e se ausenta do grupo voltando mais tarde com uma enorme cicatriz no rosto. O motivo disso acontecer não é esclarecido.

 

 

prompto_argentum_xv_2016Prompto Argentum: é um amigo de Noctis dos tempos de colégio e que passa a frequentar o círculo real. Ele é um estrangeiro que veio morar em Insomnia e usa armas de fogo para se defender. Mais pra frente descobrimos que ele tem um chip especial no braço que o permite entrar no castelo imperial de Nifheilm, onde foi criado apenas para ser transformado em soldado, mas fugiu. As razões pelas quais isso acontece não são esclarecidas.

 

 

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Ignis Scientia: um jovem superdotado que cresceu com Noctis e foi educado para cuidar dele e se tornar seu confidente. Ele é o motorista e o cozinheiro do grupo. Não existem dados sobre sua família e nem os motivos do porque ele trabalha pra realeza.

 

 

 

Os três amigos levam Noctis até Altissia na região de Accordo depois de muitas batalhas e de encontrarem os sepulcros reais, onde descansam 13 gerações de reis de Lucis e de onde o futuro rei pode “pegar emprestado” suas armas para acabar com o mal. Nesta jornada eles estão sempre sendo ajudados por Ardyn Izunia. Apesar do ódio a Nifheilm , o grupo aceita o “braço amigo” do chanceler por algumas vezes. Já em Altissia, durante a batalha com leviatã, Ardyn mostra sua verdadeira face quando pede a Luna que entregue o anel ao Noctis e depois a deixa mortalmente ferida.

Noctis e seus amigos seguem até a capital de Nifheilm e descobrem que por lá já não existe império. O local está abandonado e Ardyn controla tudo. Depois de lutar com Revus, irmão de Luna, finalmente o protagonista encontra Ardyn. Ao invés de lutarem, Ardyn envia Noctis para dentro do cristal e diz a ele para reconquistar seu lugar entre os reis antes de enfrenta-lo. O vilão ainda revela que foi o primeiro rei de Lucis e que seu nome real é Ardyn Lucis Caellum, dando a entender que Izunia foi o sobrenome do soberano que roubou seu lugar no trono.

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Ardyn foi o primeiro soberano de Eos, ele era um rei bondoso e usava magia para melhorar a vida das pessoas. Só que um dia uma terrível doença passou a transformar pessoas em monstros. Com o poder que lhe foi concedido pelo cristal, ele foi retirando a doença negra dos infectados e concentrando tudo em seu próprio corpo. Até que um dia repleto de maldade ele se tornou aquilo que estava tentando curar, o cristal o recusa e um outro soberano assume seu lugar e toma seu nome.

Jurando vingança, Ardyn vaga pelo mundo por gerações tentando encontrar uma maneira de retomar aquilo que é seu por direito. E assim supostamente conhece o imperador de Nifheilm, Iedolas Aldercapt e juntos passam a querer dominar o mundo.

Fora do cristal se passam 10 anos quando Noctis retorna para Eos. Nada sobre o porque desta passagem de tempo é revelada. Com seus amigos mais velhos, Noctis ruma a Insomnia onde Ardyn o espera. Depois de uma grande batalha, o primeiro rei de Lucis é derrotado, mas diz que vai esperar por Noctis no além até o dia em que retorne novamente. Assim, o futuro rei senta-se no trono e pede ajuda aos reis antigos se suicidando para ir ao mundo dos mortos acabar com Ardyn de uma vez por todas. Lá os outros personagens reaparecem, Ardyn é tocado por Luna mais uma vez na tentativa de redimi-lo de seus pecados.

Ardyn é derrotado e Eos que havia sido condenada a uma eternidade na escuridão volta a receber a luz do dia novamente. No além, Regis agradece a Luna por ter se sacrificado por Noctis, os dois casados olham uma foto de Prompto dos tempos em que se aventuraram pelo reino. O jogo termina com os três amigos em torno de uma fogueira comemorando a amizade, provavelmente no além.

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As curiosidades que nunca lhe contarão sobre o game

Já fique avisado que tudo, mas tudo o que você ler daqui pra baixo faz parte de boatos, vazamentos, trailers antigos e um monte de teorias feitas por jogadores na internet. Não existe posição oficial da Square Enix sobre o que mundo comentou do jogo. Eles não confirmaram e nem negaram nada.  O que tem aqui é o mais puro creme do achismo, mas com muita coisa interessante. Em cima disso, você pode tirar suas próprias conclusões.

Vamo lá!

 

Luna admira o quadro da deusa da morte Etro no castelo de Noctis em Versus XIII
Luna admira o quadro da deusa da morte Etro no castelo de Noctis em Versus XIII

 

Quando Versus XIII foi oficialmente cancelado para dar vida a FFXV, muitas partes de um roteiro que já estava pronto há anos tiveram que ser refeitas, assim o design dos personagens, áreas do jogo e até artes feitas por Yoshitaka Amano acabaram não se encaixando bem no plot final.

Em Versus XIII não existiriam summons, mas sim demônios. Insomnia seria uma cidade que sobreviveria na escuridão eterna e a deusa da morte Etro seria sua representante. A história estaria relacionada a vida e morte, luz e sombra, realidade e alucinação. Por isso Noctis poderia usar as armas de seus antepassados mortos e ele teria matado sua futura esposa Luna, que ia se chamar Stella, no começo do jogo, mas não se lembraria. Por isso há uma batalha entre ele e Ravus, irmão de Luna em um dos trailers, onde ele também pode usar o poder do cristal porque na história haveriam 4 cristais um para cada região do mundo.

É por conta dessa influência do sombrio que no produto final, a cidade de FFXV se chama Insomnia (insônia), o protagonista se chama Noctis (Noite) e os heróis se vestem de preto em contrapartida a todo o restante do povo que vive naquele lugar. A princípio Lucis estaria associado a Lúcifer e não a luz. Você já percebeu que a história de Ardyn se parece muito com partes da ida bíblica de satanás para o inferno? Banido do reino celestial, ele passa a desejar o mal para a humanidade. Tô falando do Ardyn, mas poderia ser o capeta também.

Noctis e Ravus usando o poder dos cristais cada um de sua região
Noctis e Ravus usando o poder dos cristais cada um de sua região

A introdução inteira de Versus XIII que aparece nos trailers do jogo é completamente diferente de Final Fantasy XV. Segundo o Final Fantasy Wiki:

“O jogo iria começar em uma festa formal para comemorar a assinatura do tratado de paz entre Lucis e Niflheim, onde Stella Nox Fleuret conversava com Noctis sobre uma lenda de seu país de origem, Tenebrae. A lenda afirma que sempre que Etro abre o Portão Invisível, as almas dos mortos sobem como uma raio de luz para o céu. Foi dito que poucos podem ver essa luz, e os que possuem esse dom eram fortalecidos pelo reino dos mortos. Stella afirma que ela podia ver a luz, assim como Noctis, e ele adivinha que ambos tiveram uma experiência de quase-morte. 

A assinatura do tratado era apenas uma isca e as forças de Niflheim invadem a cidade para roubar seu cristal, e Noctis e seus amigos tem que lutar em seu caminho através da cidade contra soldados e Bahamuts. Noctis ira enfrentar um homem vestido de branco misterioso que também parecia exercer o poder do cristal, e até mesmo lutar contra Stella, que iria mostrar o mesmo poder de evocar armas através de magia”.

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Na capa do Cosmogony com asas negras temos Ardyn entregando o cristal ao primeiro soberano de Lucis. Ao fundo está Gentiana que revela ser Shiva.

Versus XIII seria um jogo com tecnologia moderna e diversas fases se passariam na cidade que já naquela época era uma mistura de capitais do mundo com Tóquio. Em antigos trailers dá para perceber isso. Nilfheim era para ter além do exército magitek, fantasmas no lugar de monstros, mas isso foi alterado. Ardyn seria o árbitro que falaria com Etro em nome do poder que existe no outro mundo (além).

Em FFXV,  o Cosmogony, um livro que narra a história da criação do cosmos e do universo, temos vários detalhes sobre Eos e os deuses, lá conhecemos os summons e se você reparar, a capa mostra Ardyn repassando o cristal para o primeiro monarca de Lucis (você só não sabia que era a contra gosto né!). No fundo dessa imagem está Gentiana que mais tarde descobrimos que é Shiva.

Originalmente, haveriam pessoas infectadas que teriam manchas cinza na pele e iriam aos poucos perdendo a memória de todos que amavam tornando-se mais agressivos e insanos. Em determinado momento suas almas seriam sugadas para o além e seus corpos seriam dominados por demônios.

Na versão final do jogo a explicação sobre a infecção só aparece no capítulo 14, mas no episódio 9 em dado momento, Luna aparece curando doentes e tenta toca em Ardyn  durante a luta contra leviatã. Isso acontece novamente na batalha final.

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Stella (antiga Luna) encara a lua na Insomnia de Versus XIII

 

A lua também teria um papel importante é ela seria a “estrela da praga”, quanto maior e mais vermelha ela fosse, mais e mais infectadas ficariam as pessoas.  Os humanos de Eos não poderiam usar magia e caberia aos reis terem seus destinos selados aos sacrificarem-se a Etro (deusa da morte) para manter a paz no mundo.

Dizem que por isso no filme Kingsglaive, Nyx ouve a voz da irmã morta pois estaria usando o poder do cristal que tem ligação com o outro mundo e os refugiados podem usar este poder por terem feito um pacto com o rei Regis.

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Os personagens em Versus XIII eram bem diferentes


O produtor misterioso abre o bico

Em um tópico criado no 4chan, um suposto produtor de Final Fantasy XV que teria trabalhado na programação do jogo por 14 meses respondeu a várias perguntas. Apesar de não sabermos a identidade do ex-funcionário, muitas de suas respostas fazem todo sentido. Acompanhe…

Quase não há informações sobre os três amigos de Noctis por aí, mesmo nos animes. Segundo o suposto produtor que vazou tudo na internet, os três dlcs de história que serão lançados como expansão do jogo vão tratar exatamente destes amigos. O primeiro deles deve ser o Gladio, onde devem cobrir a parte da história onde ele simplesmente se desliga do grupo para “ajudar alguém” e volta com uma cicatriz. O “escudo do rei” deve enfrentar Gilgamesh, um monstro clássico da franquia Final Fantasy e que possui várias espadas. Já a última dlc, depois de termos jogado com todos os personagens, será  um modo multiplayer para que o jogador possa refazer as dungeons com seus amigos online.

Sobre a beta do jogo ele disse que haviam pequenos setores específicos que poderiam ser explorados em Tenebrae, terra natal de Luna, onde o jogador poderia descobrir mais da história da personagem e ir até a câmara onde estaria seu corpo, mas foi tudo cortado.

Algumas cutscenes com Luna também saíram da versão final, pois os produtores acharam que seria muito pesado para o ocidente já que mostraria um pouco dos 12 anos de vida da personagem com sua região dominada pelo império. Nas cenas cortadas dá a entender que ela sofre abuso sexual e apanha, veja trailer abaixo. Bom, só que o mesmo não fizeram com o design de Cindy, a mecânica e da mercenária Aranea. É obviamente mais fácil lidar com críticas a sensualidade excessiva do que com o abuso e por isso optaram.

Na primeira parada depois que os personagens saíssem de Altissia haveria uma pequena área de mundo aberto onde Noctis poderia dirigir o carro sozinho, onde reencontraria Cor Leonis. Aliás, ele seria um dos pivôs da história e tinha até destaque nas primeiras imagens oficiais do jogo, mas na versão final ele simplesmente some porque não faz mais sentido para a trama.  

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Cor Leonis vem e vai, mas no final ninguém se lembra dele

Na parte de neve em que o trem pára e Noctis descobre que Gentiana é na verdade Shiva havia uma pequena área de mundo aberto que apesar de ter levado seis meses para ser criada e programada foi cortada. Nela os jogadores teriam que explorar para descobrir Shiva. Ela não ia simplesmente aparecer do nada.

Na versão beta também havia uma área “Dark Lestallum” pra onde Noctis poderia voltar durante o capítulo 15. Lá, ele exploraria a cidade sozinho encontrando no caminho vários personagens e conversaria com eles para saber o que estiveram fazendo durante os últimos 10 anos.

cindyamecanicaNo último capítulo de FFXV quando retornamos ao Hammerhead 10 anos depois Cindy não aparece por lá. Você sabe o motivo? Porque os desenvolvedores se recusaram a refazer o design dela envelhecida. Só me resta acreditar que ia dar um choque de realidade na molecada punheteira.

Inicialmente o jogo seria baseado em deuses que nunca apareceriam no mundo real, mas mais tarde eles  foram substituídos pelos “antigos reis de Lucis” que cumprem o mesmo papel na narrativa. O produtor revelou que Noctis é descendente de Ardyn e de gerações em gerações ele reaparece para retomar o poder do cristal.

Na primeira versão do final do jogo, quando Noctis invade o castelo imperial, Iedolas estaria sentado no trono para a batalha, mas no último estágio do período de desenvolvimento resolveram tirar isso e portanto são encontradas apenas as vestes do imperador de Nifheilm.

 

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A semelhança não parece ser mera coincidência


Garland, um dos personagens do primeiro Final Fantasy seria um dos chefes no capítulo final em Insomnia e estaria sentado no trono de fogo onde encontramos Ifrit na frente do palácio. Não há uma explicação lógica de porque Ifrit está do lado de Ardyn na batalha, sendo uma das últimas entidades. Segundo nosso produtor Mister M, isso teria relação com a forma final de Ardyn que também foi cortada na última parte do desenvolvimento ainda este ano.

Final Fantasy XV tem na verdade apenas 3 anos de desenvolvimento no PS4, apesar de que todo o roteiro e o desenvolvimento de Versus XIII já estavam prontos quando decidiram refazer. Somando tudo, dá sim 10 anos.

O diretor da produção revelou em uma entrevista que a história de FFXV era tão grande que houve um questionamento sobre  dividir em vários jogos, mas no final acabaram optando por remover certos componentes da história para caber em único disco.

O Luminous Engine, o motor gráfico da Square, teve problemas de desenvolvimento. Precisava de mais tempo para ser aprimorado, mas isso não aconteceu por conta de FFXV e o resultado foi que em certas situações ele não rodava bem as sequências nos consoles. Isso fez com que os produtores tivessem que fazer várias concessões na produção como simplificar a batalha aquática com o Hydraeon, Leviatã, na cidade de Altissia. A luta original aconteceria em um ritmo frenético externa e internamente sempre com muitos inimigos na tela. A prova disso aparece no primeiro trailer de FFXV liberado na E3 de 2013.

 

Pra fechar, dizem que a mãe de Prompto é aquela cobra Naga, a medusa com corpo de cobra, que aparece em uma caverna congelada quando o grupo está atrás de uma das armas antigas. Há um diálogo bastante misterioso quando a equipe chega no local. O bicho balbucia “meu bebê” e depois há uma pergunta: “Você se lembra de mim?” Não importa a resposta que o jogador der haverá uma luta com ela. A coisa fica ainda mais complicada quando Prompto revela que fugiu do império quando estava sendo criado para se tornar soldado em Nifheilm.

 

Porque essa medusa cobra pergunta se nós a conhecemos?
Porque essa medusa cobra pergunta se nós a conhecemos?

Ufa… Percebeu o quanto de questionamentos esse jogo levantou? E o quanto de buracos sobraram no roteiro? Se você curtiu o game e quer comentar suas teorias sobre a história deixa aí nos comentários!

[Atualização:24/12/2016] Final Fantasy XVI nem estava no planejamento da Square Enix!

Uma das coisas interessantes a se comentar sobre o meio da indústria de games é que quem trabalha com o desenvolvimento de algum jogo precisa guardar segredo através de contratos e ameaças de processo por 3 ou 4 anos antes da divulgação oficial para o público.  Isso parece meio óbvio dado que criar história, design, mecânicas de gameplay, programação, tradução, produzir os discos e transportar para as lojas para serem vendidos dá um bocado de trabalho e gasta um montão de dinheiro.

seila2324E geralmente a produção de um jogo de qualidade AAA, como dizem, usa uma quantidade enorme de programadores e todos eles precisam guardar segredo já que é a equipe de marketing e pesquisa de mercado que sabe o momento certo de começar o hype e são eles quem permitem liberar as informações para a imprensa e público. Pois bem, quando se tem 500 pessoas trabalhando em um jogo é quase impossível “segurar” vazamentos já que sempre tem aquele mais empolgadão que cria uma conta fake na internet e sai disparando sobre o jogo antes do lançamento. E com FFXV foi exatamente isso.

Depois de 10 anos de produção, um dos programadores do jogo apareceu em fóruns e começou a falar sobre o título. Hoje, um mês depois do lançamento, se você for atrás destes comentários e lê-los vai perceber que o cara é realmente um dos ex-funcionários da Square Enix. Eu li muitas coisas que ele colocou no 4Chan, mas não vi tudo o que ele havia dito.

Dei mais uma pesquisada e achei uma postagem de junho de 2016 no NeoGAF “resumindo” os comentários das postagens e o que a equipe de desenvolvimento estava passando antes de entregar o produto final, o FFXV que todo mundo jogou.

Pelo que deu pra entender, seis meses antes do lançamento eles ainda apagavam e escreviam partes do roteiro, refaziam falas da dublagem e cortavam personagens do enredo final, como esse cara aí da figura acima que nem nome tem.

Entre as coisas interessantes que li estava: “Porque Nomura deixou a produção de Final Fantasy XV?”

Sabemos que Nomura é creditado em algumas partes do jogo, mas ele realmente deixou a produção que foi assumida por Hajime Tabata e sua equipe. O “espião” responde dizendo que ele saiu depois que decidiram acabar com a trilogia que o jogo ia se tornar e que a direção da companhia preferia ter o produtor se empenhando em Kingdom Hearts 3 e o remake de Final Fantasy VII. Ele ainda diz: “com ele (na produção de FFXV) teria sido bom, mas ia demorar mais uns dois anos de desenvolvimento só para ter a parte 1 pronta”.

 

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Seis meses antes o cara disse que a Gentiana era a entidade Shiva e os cães (Umbra e Pryna) seus servos

Perguntaram sobre a possibilidade de um Final Fantasy XVI a qual ele respondeu que só pensariam sobre isso se Final Fantasy XV fosse muito bem em vendas. E os jogadores ficaram pasmos com a resposta dizendo que isso é impossível e tal. Aí o produtor responde que não tem “braço” pra pensar nisso agora. Todo mundo estava focado em fazer FFXV, FFVII Remake e Kingdom Hearts 3.

Trabalhando nesta área de games por 16 anos tive a oportunidade de conversar com Yasuhiro Fukushima, o “dono” da Square Enix. Ele não é o presidente, ele é o dono da empresa de verdade. É ele quem coloca lá seus 300 milhões para a produção de um jogo esperando a rentabilidade voltar 5 anos depois com o lançamento. Quando o conheci ele estava voltando para o controle da empresa, pois tinha largado tudo para ir ao Camboja trabalhar em uma ONG e ajudar as crianças daquele país. Uma pessoa incrível!

Ele veio para América Latina para analisar o mercado de games por aqui e ver se havia chance de montar uma Square Enix 100% brasileira. Isso foi em 2012. Em uma conversa particular que tive com ele graças a oportunidade dada por um amigo que trabalhava na Square, Fukushima me contou o quão cada vez mais difícil estava sendo investir em jogos de qualidade AAA, pois demandava muito dinheiro e o não retorno do investimento poderia colocar a empresa em risco. Eles tiveram essa péssima experiência em Final Fantasy XIII e, se as coisas não fossem bem queriam conhecer novos caminhos e mudar de rumo. Foi essa baque financeiro que fez com que Fukushima voltasse novamente os olhos para a sua companhia. Ele ainda deixou claro que a visita dele ao Brasil e outros países latinos era para tentar entender o que o mercado estava consumindo e se valia a pena mesmo continuar botando grana em uma coisa que demorava tanto tempo para sair e que possivelmente poderia dar um prejuízo significativo. Esse é exatamente o mesmo pensamento que fez a Konami dar um basta ao Hideo Kojima. Seria algo como “Não temos 300 milhões e 10 anos disponíveis pra esperar pelo próximo Metal Gear Solid, se tem jogos mais simples e que rendem mais dinheiro em um curto período de tempo. Não dá pra esperar!”.

É por isso que faz tanto sentido o produtor dizer que não haveria um FFXVI, se o FFXV não fosse bem. E bom, ele foi bem, então imagino que vá sim ter um próximo.

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“Eles fizeram um monte de flashbacks pra jogar na última parte do jogo, mas eles não sabem o que fazer com isso de verdade”

Uma outra coisa que achei interessante foi que o nosso produtor fantasma revelou mais detalhes sobre os problemas na Luminous Engine que acabaram por tirar certas partes do jogo como a luta com leviatã que disse lá em cima. “É possível jogar o game sim do começo ao fim em um PC high end, mas o port para o PS4 está uma bagunça e eles começaram a fazer novos designs e refazer partes do game normal que estava pronto e isso pega muito mal com as pessoas, é como pegar partes de um filme e resolver refaze-los para tentar consertar”.  Em outro momento ele diz: “Esperem por um patch enorme no dia do lançamento”. E o que me espanta mais é que isso foi dito em junho de 2016, ou seja tiveram apenas mais 6 meses pra gente jogar o que é Final Fantasy XV e ainda assim conseguiram fazer um ótimo trabalho.

Enfim, é tudo muito interessante e se você já terminou o jogo pode sair por aí também procurando o que havia vazado antes do lançamento e entender como a coisa toda passou por mudanças até o produto final.

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