Não teve crise na Brasil Game Show 2017

Molecada se divertindo no LEGO Marvel Super Heroes 2 da Warner Games


Seja você direitista, esquerdista ou qualquer “ista” da vida, eu creio que numa coisa todos concordamos: estamos sendo comandados por uma corja de gente corrupta que na ganância de olhar o próprio umbigo estão se importando cada vez menos com o bem comum.

Conhecendo muitos empresários, jornalistas e influenciadores que trabalham neste meio de cultura pop tive a oportunidade de através de muitas conversas sentir o “clima” que se formou desde o começo do ano, onde o cenário para o ano de 2017 era quase sempre desolador.

Inflação chegando aos poucos, dólar instável, mudança nas regras trabalhistas, aumento do combustível, corrupção na política, desemprego e por aí vai. Tudo isso que afeta a vida da grande maioria dos brasileiros mexe também com a indústria dos videogames, com os blockbusters no cinema, com a venda e distribuição de livros e revistas.
Quando perguntava aos empresários sobre os grandes eventos anuais quase sempre o que ouvia era que estavam “apertando os cintos” para sobreviver a essa fase ruim e que por isso muito provavelmente não investiriam em branding, o termo usado para empresas cujo objetivo é reforçar a marca junto ao consumidor final.

Conversando com economistas você aprende que durante uma crise como a que estamos passando este ano a primeira coisa que é cortada da vida das pessoas é a diversão. O público deixa de ir aos cinemas, shows, teatro e eventos. Ou seja: deixa de comprar jogos de videogame, ler revista (HQs, mangás, álbuns de figurinha e revistas de videogame) ir ao cinema e a eventos. E de fato muita gente parou de consumir essas coisas.

Para piorar o videogame pode ser considerado um artigo de luxo. Caro no Brasil o aparelho serve apenas para divertir e não é um item essencial para a grande maioria das pessoas. Não é nenhuma geladeira, fogão, máquina de lavar, etc.

Call of Duty WWII é o novo game da série que sai em 3 de novembro

Se o consumidor está parando de gastar dinheiro com diversão por conta da incerteza com o futuro, a meu ver criar interesse nas empresas em participar de eventos neste período parecia algo muito difícil, por isso me espanto ao ver que a organização da feira conseguiu trazer não só as grandes produtoras de jogos e acessórios (Sony, Microsoft, Warner Games, Ubisoft, Hyper X, Razer, entre outras)  como outras empresas que possuem afinidade com o mesmo público como Fini, Cup Noodles, Vivo, Uber e Piticas.

A Globo estava no evento com o Zero 1. Sites como IGN e Voxel tinham espaços exclusivos

Tudo bem… se você quer fazer um evento grande e caro no meio de um período de economia ruim, então criar uma boa estratégia, dar melhores condições aos expositores é fundamental. Isso é o que o meu sétimo sentido diz quando penso nos motivos que levaram a BGS a sair do Centro de Exposições Imigrantes e retornar ao Expo Center Norte. Mas facilitar a vida das empresas, fazer uma boa divulgação e criar expectativa no consumidor é o fundamental. Agora feito tudo isso, bastava apenas a produção cruzar os dedos e esperar a resposta do público. 

E a resposta foi ver a Brasil Game Show abarrotada de gente e com estandes imensos  indo na contramão total do que seria o “senso comum” em uma situação de crise.  De 11 a 15 de outubro o pavilhão de eventos, Expo Center Norte, ficou tão cheio de gente que em alguns dias era cansativo andar de um pavilhão a outro. Adultos e crianças corriam pra lá e pra cá querendo experimentar as novidades, encontrar ídolos, participar de gincanas, comprar cacarecos e fazer cosplay. O principal evento do gênero no país fez questão de se organizar para dar ao público consumidor  uma boa experiência já que o visitante teve que desembolsar de R$90 a R$399 e precisava sair de lá satisfeito.

Não digo que estruturalmente foi tudo absolutamente perfeito, pois houveram alguns problemas, mas que com fé serão resolvidos no futuro. Um que particularmente me incomodou foi o barulho. Caixas de som com volume no máximo e a “disputa” entre qual estande chamava mais atenção deixou alguns setores do evento absolutamente insuportáveis.

Uma coisa que me preocupava na Brasil Game Show era entender a oportunidade de negócios que o evento precisaria gerar para continuar relevante. Enquanto a E3 faz isso provocando o encontro de empresas, desenvolvedores e produtoras, na BGS a coisa acontece de maneira diferente. Voltado ao consumidor o evento acontece no último trimestre e bem no meio do período de lançamentos de jogos, onde as produtoras aproveitam para mostrar aquilo que já está pra sair, enquanto os grandes magazines vendem mais barato aquilo que ficou encalhado durante o ano. A jóia da coroa está aí! A parte mais importante da feira na minha opinião é mesmo manter este grande feirão do videogame que chega na hora certa. Sem dúvida o visitante vai pra jogar, mas vai também pra comprar com desconto: aparelhos, jogos, quadrinhos, artigos de vestuário, revistas de videogame e acessórios. Em alguns estandes os preços marcavam um valor mais alto. Era só dar uma pesquisada na internet e pechinchar um preço mais barato e levar na hora. 

Por exemplo, a Piticas que é especializada em camisetas deste universo aproveitou para mostrar a nova coleção baseada nos jogos da Blizzard como Hearthstone, Star Craft, Overwatch, Diablo, etc. Eles iniciaram na BGS a produção de estampas exclusivas e limitadas. Era possível comprar duas estampas de Overwatch, uma da D.Va e outra do Winston que só estariam a venda nos dias do evento e não vão para as lojas. Não era possível fazer troca dessas estampas fora da BGS, por isso no primeiro dia elas estavam sendo vendidas a R$49,90 e no último por R$19,90. Uma pechincha para quem gosta do jogo.

A Brasil Game Show 2017 comemorou sua décima edição mostrando que se mantém relevante no cenário dos jogos eletrônicos e a edição 2018 já foi confirmada no mesmo local e data.

Outro evento que aparentemente vem na cola, o Game XP surgido este ano e que pode ser considerado concorrente da BGS apenas por similaridade temática já que possui outro foco e está em região diferente, precisa provar a sua importância no ano que vem pós-eleição.  Será que consegue se firmar no calendário e sobreviver sem o incrivelmente maravilhoso aporte de mídia do Rock in Rio? De toda maneira teremos dois eventos de grande porte para visitar todos os anos.

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