Por que Assassins Creed: Origins é o melhor jogo da série?

A equipe de Origins recriou o Egito Ptolemaico com ajuda de historiadores e arqueologistas

2017 foi um ano de jogos excelentes. Como se o cosmos tivesse se alinhado para fazer com que uma boa safra de games que estavam sendo desenvolvidos nos últimos três anos saíssem maravilhosamente todos na mesma época. Cita-los aqui seria redundância já que eles estamparam capas de sites e prêmios pelo mundo afora.

No entanto, eu gostaria de falar mais sobre este que com suas mais de 130h de jogo me fez ter fé na série novamente: Assassin’s Creed Origins.

Acompanho esta série de games que lançou a Ubisoft ao estrelato desde 2009 quando tive contato com a primeira aventura do Ezio em Assassin’s Creed II (sim, eu só joguei a aventura de Altair anos mais tarde). Desde então todo ano costumo parar por alguns dias para viver a aventura mais recente da irmandade dos assassinos.

Me empolguei com Assassin’s Creed III, Black Flag, Unity e Syndicate, muitas vezes por conta daqueles trailers que vendiam uma coisa que o jogo não era. A verdade é que nenhum destes me trouxe a sensação imersiva que tive com a Itália de Ezio até chegarmos em Origins. Depois de jogar ACII, eu quis visitar a Itália, algo que fiz em 2014. Andando pelas ruas de Roma eu podia ve-lo em minha imaginação atravessando a cidade fazendo o que melhor sabia fazer, o parkour.

Eu tirei essa foto do Panteão que foi retratada nas aventuras de Ezio

Há 11 anos os games de mundo aberto ainda estavam tentando encontrar seu caminho com lançamentos de diferentes produtoras e cada uma colocando seu próprio detalhe neles. A Ubi sempre teve uma sede por primor visual se superando a cada novo título, mas não dá pra negar que o desenvolvimento das histórias depois da jornada de Ezio estavam fracas e sem emoção.

E isso só me faz dar ainda mais valor para o “ano sabático” que a Ubisoft tirou pra desenvolver direito as aventuras de Bayek em Origins. Eles literalmente deixaram de lançar uma edição do jogo (que saia anualmente) pra fazer este. E o resultado é, sem demagogia alguma, um dos melhores títulos da franquia já lançados por trazer de volta o frescor de um bom enredo, evoluir a mecânica de combate e nos fazer querer viver aquele Egito do passado.

Leões, crocodilos, cobras e hipopótamos representam a fauna perigossíssima daquela época

E isso tudo começou em 2014 quando a equipe da Ubisoft Montreal havia acabado Black Flag e estava a procura de seu próximo grande desafio. Segundo uma das edições da Game Informer, o diretor de criação Jean Guesdon pediu a equipe que esquecesse da franquia por um momento e tentasse apenas pensar em ideias que os empolgassem. Depois de materializar boas ideias, eles perceberam que o Egito Antigo estava no topo de pedidos dos fãs e assim decidiram. A produção do que seria Origins começou meses antes do lançamento de Unity que se bem me lembro saiu todo bugado.

O tempo a mais permitiu aos desenvolvedores melhorarem vários aspectos do jogo. Como disse Guesdon a Game Informer:

“…precisávamos que muitos sistemas fossem desenvolvidos para obter a total homogeneidade… Para ir do fundo da água até o topo da montanha não há um único pilar central, há vários. Se você remover um parece que está faltando algo. É por isso que precisávamos deste tempo para conceber plenamente as promessas do Egito”.

E o resultado é excepcional.

Do ponto de vista do enredo, Origins, como o próprio título deixa claro, busca a origem da irmandade dos assassinos. Mas não é só isso, o game tenta renovar a série adicionando novos detalhes e elementos, ao mesmo tempo em que muda e simplifica a parte mecânica.

Alguns elementos da tela foram reduzidos para melhorar a imersão como o minimapa que foi retirado da tela principal e não mostra mais o objetivo. Outra mudança interessante foi a retirada do botão de correr. Agora, o protagonista anda em velocidades diferentes dependendo da profundidade de acionamento do direcional. Não há mais aquele círculo vermelho que indica até onde você pode fugir para escapar dos guardas nas batalhas o que dá uma certa sensação de desespero na hora da ação. Além disso, o combate tem mais detalhes e faz com que possamos controlar diversas armas e cada uma delas com características únicas dividindo a atenção com a lâmina do assassino. E assim, sabendo que há uma infinidade de armas e que você as ganha durante as missões, o jogador fica mais empolgado em cumprir diferentes objetivos que podem ou não estar relacionados ao enredo principal. As missões paralelas não tão lá só pra cumprir cota, elas são realmente interessantes. E isso meus amigos, é incrível.

E acrescentado a isso temos Senu, a águia de Bayek que o ajuda a desvendar os inimigos e voa por toda a região interagindo e ajudando na história. Ela é também a ligação que os assassinos tem com as águias, com o salto de fé e com a visão que lhes permite ver além. Bem bolado!

Cada cidade tem vida própria que é refletida pelo conflito político entre o faraó e César. Tirei essa foto enquanto voava com a Senu.

Visualmente mapa é o maior que a Ubisoft já produziu e pode ser explorado de ponta a ponta. Ele é tão incrivelmente bonito que existe um modo fotográfico para que você registre os melhores momentos da sua jornada que fica muito melhor em videogames e computadores mais avançados como o Xbox One X ou PS4 Pro.

Além do que está no disco do jogo, os programadores estão incluindo diferentes conteúdos apenas atualizando o jogo. Logo após o lançamento muitos itens foram disponibilizados gratuitamente e no dia 23 de janeiro teremos a primeira dlc com mais conteúdo esticando ainda mais a história e o que nos faz querer voltar a visitar o game.

A equipe escolheu o Egito Ptolemaico para a história por haver uma luta política acontecendo naquele momento entre egípcios e romanos. Como é um período onde existiam pouquíssimos registros, eles tiveram que se unir a historiadores e arqueologistas para recriar aqueles locais.

A aventura não começa de forma linear. Logo no começo do jogo somos apresentados a Bayek, o último Medjai, uma espécie de “policial” do egípcios, vestido como assassino e derrotando o primeiro ancião de uma Ordem que secretamente manipula as decisões do faraó Ptolemeu das sombras. Depois somos levados a Siuá e de lá viajamos novamente para o passado para entender o que fez Bayek sair a caça de cada um dos membros da misteriosa Ordem: a morte de seu filho.

O computador de Layla fora do Animus mostra detalhes novos a história da franquia como a presença do protagonista de WatchDogs.

Em Origins existem cinco linhas de história acontecendo ao mesmo tempo. Algo que a meu ver também é inedito na série. Na principal, Bayek procura vingança pela morte do filho como o último Medjai da isolada região de Siuá. Ele é o último porque em todos os outros locais já substituíram os medjai pelos phylakitai que seriam resumidamente a “força policial” do Egito dominado por Roma. Na segunda linha, o protagonista está envolvido no jogo de poder baseado em fatos históricos reais com Cleópatra exilada tentando voltar ao Egito para exigir seu lugar como faraó e destronar Ptolemeu com a ajuda de César. Esta parte é interessante porque podemos presenciar sequências que só vimos nas aulas de História, como Cleópatra sendo entregue a César enrolada dentro de um tapete.

A história de Shadya e dos pais Khenut e Hotephres é uma das mais doloridas de todo o jogo.

Já na terceira linha está o surgimento da Irmandade dos assassinos. Este conteúdo apesar de menos interessante tem alguns bons momentos como o da criação da marca característica do grupo.

Na quarta linha temos pequenas sequências fora de uma versão mais avançada do Animus que incluem novos detalhes da luta entre templários e assassinos no presente. Antigamente era necessário ter o DNA do antepassado para poder revive-lo no aparelho, mas com os avanços da cientista Layla Hassan é possível transportar uma versão portátil do Animus para qualquer lugar e usar DNA de cadáveres ancestrais para reviver suas vidas. Aliás é dentro das ruínas de uma pirâmide que Layla encontra a múmia de Bayek. Como ela foi parar lá talvez seja tema para um próximo jogo.

E na última linha temos as missões paralelas onde Bayek como último medjai precisa ajudar o povo de diferentes cidades e vilarejos romanos e egípcios que sofrem com a política, com a corrupção dos guardas e com a fé cega de alguns religiosos.

Bom, mas a parte da história que mais me emocionou foi mesmo a da vingança de Bayek e do terrível sentimento de dor pela morte do filho. Aliás o tema “morte dos filhos” é recorrente no roteiro tanto na linha principal quanto nas missões paralelas do jogo. A maneira poética como é abordada a mente do protagonista para nós jogadores me fez realmente querer percorrer o Egito de cabo a rabo atrás de quem fez o que fez. E certamente é a sensação que você também terá ao jogar. Este estímulo claro mostra o caminho que o jogo vai seguir o que torna muito mais fácil entender os acontecimentos.

Os temas em Origins são na maioria sérios até mesmo nas missões paralelas

Enquanto The Legend of Zelda: Breath of The Wild renovou os games de mundo aberto ao fazer a coisa mais impensável de todas aos jogadores leite com pera que é indicar a direção e dizer “vai meu filho explorar esse mundão de Meu Deus!”, os games triple AAA como Origins ainda se valem de muitas pesquisas de mercado para continuar a pegar na mão do jogador e o levar até onde precisa ir. Apesar de muitas coisas no design do jogo terem mudado ainda é possível ir direto pra onde precisa e só cumprir tarefas. E talvez este seja na minha opinião o único defeito do jogo, mas que não consegue absolutamente tirar o brilho de todos os outros elementos positivos que foram implementados neste título que deve levar a franquia para um caminho totalmente novo. Por tudo isso ele é sem dúvida o melhor game da série já lançado

Origins é um marco e se você não teve a oportunidade de joga-lo no lançamento agora há a possibilidade de consegui-lo mais barato.

Já te digo que nos tempos atuais onde roteiristas de jogos famosos andam dizendo que títulos para um jogador estão fadados a sumir do mercado Assassin’s Creed Origins contradiz tudo isso. Que venham mais e melhores games da série porque eu continuo a querer jogar todos eles.

Anúncios

2 comentários Adicione o seu

  1. Cachorrera disse:

    Discordo, a saga Ezio foi a melhor!!

    Curtir

    1. O Ezio é incrível! Mas esse Origins ficou bem bom, depois de quase tudo que saiu depois dos games dele, não acha?

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s