Qual a sua relação com os jogos de Dragon Ball? Vou explicar a minha pra vocês!

De 1986 até 2017 já saíram muitos jogos. Esses aí são aqueles que me conquistaram.

No dia 26 (daqui a pouquinho) a Bandai Namco lança Dragon Ball FighterZ, game de luta viciante e produzido e desenvolvido pela Arc System que tem histórico de fazer alguns dos melhores games do gênero. Com mecânica simples que faria até um macaco maneta aprender a jogar, 24 personagens e modo história exclusivo acho que não precisa dizer que estou muito empolgado com ele.

Só que esse lançamento me fez pensar em minha própria trajetória de vida e de trabalho. E posso dizer sem dúvida que foi culpa dos jogos de Dragon Ball Z e o motivo conto pra vocês agora.

Ah inicialmente esse era para ser um post no Instagram que deu errado (cresceu!) e virou postagem no blog.

Eu nasci em 1979! A escola que errou a carteirinha e fiquei mais velho hoje… :/

Em 1989 estava lá o Renatinho viciado em videogame com seus 10 anos (não 11!) andando por todas as locadoras do tatuapé e alugando todas as fitas e videogames que encontrava pela frente. Havia uma locadora chamada Only Games que ficava na rua Sante Colombara, 200 cujo dono era um descendente de japoneses chamado Alfredo Takeda. Na Only sempre apareciam jogos que vinham do Japão trazidos por amigos e parentes do Alfredo que também tinha uma agência de viagens. A locadora bombava de gente o dia todo e eu vivia pegando um monte de coisa. Foi lá que joguei Goemon e Parodius e vi Dragon Ball Z Super Butouden de Super Famicom (o SNES japonês) pela primeira vez.

Não precisa nem dizer que fiquei vidrado naquelas batalhas absurdas!

Aluguei o cartucho algumas vezes e numa delas o Alfredo me disse:

“Olha, esse game é de um desenho animado japonês que não existe no Brasil. Você só pode assistí-lo se conseguir alugar as fitas em locadoras japonesas”.

Ele ainda me contou que havia uma locadora dentro de um prédio na avenida paulista em São Paulo, o Top Center, que coincidentemente era o mesmo lugar onde minha mãe costumava cortar os cabelos. E isso me levou a fazer uma carteirinha naquela locadora e a assistir ao anime por 4 anos sem nenhuma legenda. Eu inventava traduções da minha cabeça e pesquisava a história em revistinhas na Liberdade. Fiz um grupo de amigos que curtia aquilo tanto quanto eu, mas faltava alguma coisa.

Eu “lia” as revistas semanais japonesas que publicavam só um capítulo por semana

Foi aí que dos 14 aos 16 anos estudei a língua japonesa pela primeira vez. Fazia aula no Bunkyo numa sala onde o único “não-descendente” era eu. Um ser que gerava curiosidade nos outros já que estava ali estudando porque queria entender o que estava assistindo. (Essa história você pode ler inteira em uma postagem que fiz em 2008 no site do Centenário da Imigração Japonesa aqui).

Dragon Ball Z me levou aos 18 anos para uma faculdade de Letras na Universidade de São Paulo onde fui, advinhem: estudar mais japonês.

Animecon 2000: Acho que essa era a nata das revistas nerds brasileiras na época. Eu to na ponta da mesa haha

Gostar de games me levou para a Conrad Editora que em 2000 contratava as pessoas mais malucas que acabavam por fazer as revistas mais maravilhosas.

Conrad Editora só tinha gente com ideias malucas que rendiam produtos muito legais

E lá, depois de muito brigar com a Shueisha porque queriam inverter as páginas do mangá  de Dragon Ball, os donos decidiram que iriam publica-las do jeito original. E eu como assíduo frequentador de eventos fui convocado para disseminar a novidade. Nesta época haviam poucos mangás e nenhum título grande vinha porque pagar royalties e direitos autorais era muito caro (ainda é!). No dia da foto acima, rolou um palestra com os representantes de várias editoras que diziam categoricamente que NUNCA seria publicado um mangá famoso no Brasil. Como nunca ninguém tinha sequer ouvido falar de mim, eu, na ponta da mesa, esperava quietinho o momento de falar. Quando revelei que a Conrad publicaria Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco a única reação da plateia foi aplaudir. E o resto é história. Os mangás venderam pra burro, o anime foi parar nos maiores canais de tv. E eu? Bom, eu fui revisar e adaptar os mangás na época.

Meu nome não saiu nos primeiros volumes porque eu estava na Nintendo e o editor achava que não precisava. Até que um dia discutimos e colocaram..rs..

Como especialista sobre Dragon Ball acabei fazendo diversos trabalhos relacionados ao título, produzi pôsteres, matérias especiais, cards e muitos outros produtos. Mas foi por uma idéia maluca do Ricardo Cruz em 2003 que conheci o Hironobu Kageyama, intérprete dos maiores temas da série. Esse contato rendeu a vinda dele para o Anime Friends e nem preciso dizer que chorei que nem uma criança quando escutei ele cantar: Boku tachi ha Tenshi Datta ao vivo.

Não precisa dizer muito. A amizade com o Kage-chan foi imediata porque bizarramente temos o mesmo senso de humor. Essa amizade me fez dar uma ripa nos estudos da faculdade e me levou pela primeira vez ao Japão em 2007. Lá eu pude andar livremente pelo backstage dos concertos e ver o comportamento das pessoas do showbizz japonês. Teve uma vez que fui ao karaokê com o Kageyama e cantamos juntos algumas músicas de Dragon Ball. Além de ficar com vergonha essa foi umas das lembranças mais marcantes dessa viagem.

Olha a cara de bagunça! E eles tinham acabado de fazer um show!

A oportunidade de conhecer diversos artistas me fez com muito trabalho ajudar um evento lá de Fortaleza a crescer, o SANA. De 2007 até 2017 cuidei da parte de coordenação de produção dos shows, negociação com artistas, tradução e etc. Não é a toa que ele virou a referência dos eventos do gênero no nordeste sendo o maior e mais organizado e que serviu de molde para diversos outros que apareceram depois.

O público comparecia em peso e os cantores adoravam.

E tudo isso começou com um jogo do Dragon Ball e já saíram muitos diferentes para todos os videogames que você possa imaginar. E eu só posso contar essa história maluca pra vocês hoje porque em todos os momentos sempre fui encorajado por meus pais e amigos. Apesar de, como todo bom nerd de 1980, ter sofrido bullying por gostar daquilo que quase ninguém gostava ou entendia nunca desisti de seguir meus sonhos. Acho que essa é a maior lição que podemos deixar para as novas gerações.

Estou longe de ser um milionário viajando o mundo num iate, mas estou feliz por onde este caminho tem me levado e para onde ainda me levará.

 

 

Se quiser me seguir no instagram e no twitter, tô sempre atualizando por lá também!

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2 comentários Adicione o seu

  1. AdaoKame disse:

    òtima postagem Renato,vc tem grande parte do impacto que dragon ball tem hoje por aqui.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Alan Martins disse:

    Joguei muito no PS2, havia ótimos jogos para o console! Os de SNES também joguei muito.

    Curtido por 1 pessoa

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