O Sucesso e o fracasso no mesmo mês!

2009 Novembro 8
tags:
por Renato Siqueira

Eu acho que cada pessoa arruma um jeito diferente de “aliviar a pressão” que fica no peito naquele momento de felicidade ou de tristeza. Alguns fazem esportes radicais, outros caem na bebedeira e alguns ainda guardam tudo para si. Eu? Eu escrevo. Acho que até por isso que sou jornalista. Quando me vejo fazendo algo de que gosto as palavras simplesmente afloram. Não é preciso pensar muito e nem fazer mimimi… É só colocar tudo no papel, no blog, no email… no caderno… em qualquer lugar.

Há 3 semanas atrás eu voltei para a Tambor Digital para me tornar o editor-chefe da Nintendo World (já postei aqui!).

Com força de vontade e a cabeça cheia de sonhos me deram a liberdade de fazer o que eu quisesse em relação a revista. Isso para um cara como eu é o mesmo que receber dinheiro. Eu fiquei feliz quando liguei para a NOA (Nintendo of America) e fui atendido pelo diretor geral com um: “Primeiramente, bem vindo a Nintendo, Renato”!

nw1282

Este mês o meu contato com o mundo dos games se expandiu muito. E falando inglês, japonês e até espanhol eu descobri exatamente algo da qual me interesso. Empolgado com o novo emprego e status, eu corria para contar as novidades a minha namorada. Já falei dela aqui poucas vezes, mas basicamente estávamos namorando a 2 anos e 8 meses, uma boa parte deles a distância. Eu sou brasileiro, ela é japonesa e nos conhecemos durante a faculdade e o nosso envolvimento começou por acaso, sem ter aquele lado forçado ou desesperado de quem precisa ter alguém. Começamos a namorar e logo o tempo de intercâmbio dela aqui no Brasil acabou. A primeira vez que nos separamos foi a menos dolorida porque achávamos que acabaria ali no aeroporto já que não tinhamos como nos ver novamente durante muito tempo.

Só que pouco tempo depois a vontade de se falar apertou, a saudade do abraço e das conversas engraçadas e interessantes bateu forte. E assim, um belo dia nós decidimos conversar pelo Skype. As conversas tornaram-se frequentes e a saudade também. “Vamos lutar pelos nossos sonhos! E fazer o nosso relacionamento dar certo”!

Eu quero mesmo morar no Japão. Aliás, essa é a única coisa que pode me fazer largar tudo aqui no Brasil.

Continuamos conversando e planejamos viagens. Durante 2 anos eu trabalhava pensando no dia em que iria encontrá-la. E ela fazia a mesma coisa. Veio 3 vezes ao Brasil depois daquele primeiro retorno. Cada separação era mais dolorosa do que a outra, mas a gente tinha em mente que queria ficar junto. E isso era o mais importante.

No dia em que voltei do Japão depois de 3 meses morando juntos dentro da mesma casa, a ida até o aeroporto foi muito triste. Não conseguimos dormir. Na hora da despedida eu me lembro dela chorando e dizendo em japonês:“Isso não pode ser verdade. Pegue a sua mala e vamos voltar para a nossa casa, vamos!” Naquele dia eu senti um aperto no peito como jamais havia sentido em toda a minha vida. Fiquei arrasado, mas não tinha jeito e tive que voltar.

Depois disso nos encontramos mais uma vez em março de 2009. Em abril ela começaria a trabalhar numa grande empresa japonesa e ficaria sem tempo para vir ao Brasil. Caberia a mim dar um jeito de ir para o Japão. A luta pelo nosso relacionamento ainda não tinha acabado.

Ela então voltou ao Japão e começou a trabalhar. Todos os dias ficavamos frustrados por não conseguir resolver a situação. Tentei uma bolsa de estudo em SP e não passei. Mandei muitos currículos para o Japão, mas a crise econômica não escolhe a quem prejudicar.

Ela começou a trabalhar ainda mais. O tempo ficou curto para descansar. Ela queria sair comigo, mas eu não estava lá, então começou a sair com o grupo de novos amigos que fez na empresa. E logo esse grupo de amigos acabou ocupando inclusive o tempo que havia para mim. Pior do que isso, eles faziam piada com ela por tem um namorado estrangeiro que nunca estava a seu lado. O que parecia uma luta acabou se tornando uma guerra. Opiniões de amigas ajudam a piorar tudo. E como eu já postei aqui no blog, os japoneses fazem tudo de forma quase coletiva, portanto as opiniões de um acabam tornando-se as opiniões de todos.

18102009611

Há 3 semanas atrás eu consegui um emprego criativo numa revista que eu gostava, ligado a uma empresa que eu respeito. A cada nova conversa eu falava sobre meus planos e como faria para chegar ao Japão. Algo finalmente estava acontecendo.

E no feriado da semana passada, a minha namorada terminou o relacionamento comigo. Disse que não estava aguentando e que poderia se arrepender disso, mas tinha que tentar. Não queria que eu largasse um emprego que gostava no Brasil para ir ao Japão se não fosse por um emprego ainda melhor. Eu não consegui dizer nada pelo Skype. Ela chorava e dizia que se eu estivesse lá ela jamais estaria tomando esta decisão.

Eu queria ser um milionário ou no mínimo ter um jeito de viajar rapidamente ao Japão para dar um abraço nela e dizer para não desistir de mim, assim como acontecem nas novelas. Aliás, eu estava conversando sobre isso com ela. Ia começar a assistir uma novela japonesa que ela já tinha visto. Hoje estou no último capítulo, ela se chama Buzzer Beat. Eu fiquei chocado porque mandei um email para ela essa semana com um texto que se parecia com o que acontece na novela. Só que eu só percebi hoje.

Ao sair do Skype naquela madrugada eu fiquei arrasado. Todo mundo acha que namorar a distância é loucura, é por isso que só quem ama de verdade é que consegue manter um relacionamento assim. Eu sei que o amor dela por mim não acabou e por mais distante que estejamos, o meu também não. E o jeito como nos conhecemos foi o certo. Não foi planejado, não foi “empurrado” pelos amigos, mas foi sim por acaso e pelos motivos certos. Amor assim tem mais valor. E se eu não acreditasse nele com certeza já teria desistido e não sofreria tanto.

Eu sofro por ser do tipo romântico, aquele que não mede esforços, que gosta de amar e que, mesmo sabendo que pode sofrer, acaba entrando de cabeça no que realmente lhe interessa. Eu gosto de surpresas, de carinho roubado e de declarações de amor. Acho que as pessoas são mais felizes quando são amadas por alguém e que esse sentimento não é susbstituído por dinheiro, birita e prostitutas de luxo. E isso tudo mesmo sabendo que eu tenho um monte de amigos que pensam diferente, que estão casados comendo a secretária, que tem 2 ou 3 namoradas ou que frequentam o puteiro pra “comer alguma coisa diferente”. E mesmo assim, eu não sou careta. Sou nerd sim, mas careta nunca. Nem meloso, nem pegajoso e nem nada… O fato de ser romântico não me faz ser um cara grudento mesmo.

Eu só espero poder reencontrá-la algum dia e que a nossa paixão se reacenda. Eu muito provavelmente só vou namorar alguém agora quando me sentir do mesmo jeito que me sentia com ela.

Ela era uma boa parte da força que me fazia correr atrás dos meus sonhos, sem ela me sinto mais fraco. Desmotivado. Mas eu sei que tenho que lutar como qualquer outro.

De agora em diante preciso me esforçar para continuar a realizar os meus sonhos, viver feliz e evoluir. E quem sabe algum dia eu não a reencontre ou no mínimo encontre alguém que tenha coragem de fazer tudo por amor como eu faço.

Música da BOA para Tales of Graces do Wii

2009 Novembro 7

Essa é a música Mamoritai ~White Wishes~ interpretada pela cantora coreana BOA especialmente para o game Tales of Graces, RPG da série “Tales of” da Namco exclusivo para o Nintendo Wii. O anúncio que ela fez na Tokyo Game Show de 2009, você confere clicando aqui.

A música é bem bacana, escuta aí!

Asbel Lhant

Asbel Lhant

 

A capa da Nintendo World #128

2009 Novembro 5
A primeira edição feita por mim!

A primeira edição feita por mim!

Essa é a primeira edição da Nintendo World a qual tive o prazer de editar. Ainda não fizemos todas as zilhões de alterações que pretendemos fazer, mas elas devem acontecer com mais detalhes nas próximas edições da revista.

De qualquer maneira esta edição deve ter ficado um tanto diferente do que estava sendo feito nas anteriores. Eu espero que a galera note e comente aqui o que gostou e o que não gostou. Eu não me canso de ler e reler as matérias publicadas. Além de me divertir com isso, ainda consigo ver aonde posso melhorar em termos de estética literária.

Uma coisa que eu notei é que a revista é diferente da internet na medida em que colocamos as mãos em alguma coisa. Você sente a revista, olhas as páginas calmamente, se interessa e se diverte. É uma obra de arte produzida loucamente em poucas semanas. Essa sensação de ter obtido alguma coisa que lhe traz prazer é uma coisa que a internet não consegue passar na minha opinião.

Bom, acho que como editor estou aprendendo a amar um pouco mais as revistas. Este mês comprei a VIP e a EXAME que fala do nordeste. Tudo bem não são revistas da Tambor e nem revistas de games, mas são revistas igualmente divertidas e inteligentes pra um trintão como eu certo? É engraçado, mas são de revistas como estas que eu tiro boas idéias para futuras matérias ou pautas, do lado de fora do nosso mercado.

Olha esse vídeo do Nujabes!

2009 Outubro 30
tags: , ,
por Renato Siqueira

Cara esse é o clipe mais irado que eu já vi… Muito bom! Gente correndo como louca em câmera lenta. Assistam!

A Bayonetta é legal!

2009 Outubro 30

Talvez eu nem goste deste jogo quando for lançado, mas a verdade é que eu gosto da publicidade que se faz em cima da personagem no Japão. É muito legal!

Bayonetta é uma bruxa do tipo “professorinha gostosa” em inglês fala com sotaque britânico, em japonês fala com autoridade, tem uma música tema dançante cantada pela Michi, diz  que gosta de tabús e tem propagandas muito maneiras e um marketing extremamente agressivo no Japão. Isso sem falar que a roupa da mulher é o próprio cabelo. Putz!

Eu vi uma entrevista no blog de Bayonetta onde Hideki Kamiya, o criador, diz que a atriz que ele gostaria que interpretasse a Bayonetta no cinema fosse a Elizabeth Hurley.  E você, qual é a sua Bayonetta?

500x_taboo

A Bayonetta foi colocada na estação de trem japonesa cheia de adesivos!

500x_bayonetta1underneath

Poucos dias depois ela já estava bem a vontade!

A SEGA criou a fundação Bayonetta que tem a função de transformar as garotas em bruxas fazendo Cosplay de Bayonetta no Halloween. O que você acha? http://www.bayonettahalloween.com/

Escute abaixo a música de Bayonetta chamada Something Missing interpretada pela cantora Michi.

Para falar do futuro é melhor olhar o passado!

2009 Outubro 25
por Renato Siqueira
nintendoworld_1

A primeira NW!

Bom, acho que o pessoal aí já matou a charada do meu novo trabalho. Desde a semana retrasada que eu estou trabalhando como editor da revista Nintendo World. A partir da edição 128, os fãs da revista vão presenciar diversas mudanças no modelo como a revista era feita. Eu com essa nova responsabilidade espero sinceramente que ela fique muito melhor do que ela era. Acho que só assim justificaria o meu retorno e trabalho. Nas últimas semanas eu não tenho feito outra coisa além de pensar no estilo, na cara e no jeitão que a revista tem que ter sob o meu comando. Nesta edição que sai em novembro os leitores vão perceber pequenas mudanças na forma como os textos são apresentados e na presença de novas seções e de algumas antigas que haviam sumido e nunca mais retornaram.

gamersmim2gamersmim3

Meu primeiro texto na Gamers (1999) – O meu texto era ruim (clique e leia!)

Para fazer uma “nova” Nintendo World eu resolvi olhar o passado. Para fazer uma nova revista de videogame eu voltei no tempo lendo e relendo uma boa parte do que já foi feito em relação ao mundo dos games e seu desenvolvimento no Brasil.

Quem já me conhece sabe que eu entrei na Nintendo World como repórter de 1999 e fiquei até meados de 2004 quando acabei me voltando para artigos diversos e trabalhos como freelancer. Saí um pouco do eixo dos games, viajei ao Japão, escrevi muito sobre cultura japonesa, aprendi idiomas, me formei na faculdade e andava tentando procurar um lugar onde investir algumas das idéias que tive nestes 10 anos de carreira. Por isso, quando o André Forastieri me ligou e fez o convite para voltar a Nintendo World, eu pensei bastante sobre o assunto, dei uma lida na revista e decidi que queria retornar para tentar fazer com que ela voltasse ao que é considerado o mainstream dos gamers brasileiros. Afinal, uma revista que tem 128 edições e 11 anos de publicação quase ininterruptas, não pode ir aos poucos sumindo sem deixar nenhum vestígios nos corações dos fãs. Quem lê a Nintendo World hoje são os filhos de pais que há 11 anos liam a revista e gostavam.

A minha volta tem um pouco de saudosismo sim.

Se não tivesse esse sentimentos, certamente não teria retornado.

videogame1_jpg

A primeira Videogame de 1991

Foi por isso que estudar as primeiras edições das revistas de videogame era tão importante para mim. E por sorte eu colecionei quase todas elas, de praticamente todas as editoras brasileiras, e me dei conta de muitas coisas. Uma delas foi o fato de como o nosso mercado mudou em todo esse tempo. Hoje temos um volume bacana de empresas que realmente acreditam no mercado de games no Brasil e elas estão aqui, apesar de não aparecerem para o público, ficam só fazendo negócios para ampliar na encolha.

Antigamente, as revistas antigas eram muito boas e muito fortes, mas não gozavam de tantas fontes de informação quanto as revistas de hoje. Isso é fato. Dá pra perceber como se tinha que ralar pra fazer uma boa reportagem. Os chamados “pilotos” testavam os jogos, mas não escreviam, cuja responsabilidade ficava mesmo na mão dos jornalistas. Anos depois, esse “modo de fazer” mudou e os “pilotos” também passaram a escrever, fotografar e até cobrir diversas pautas relacionadas aos jogos.

review

Review de Atari é o máximo!

Em menos de uma semana eu fiz contato com todas as empresas de games de uma única vez. Grandes, pequenas, médias, com gente legal, com gente chata e tal. Na minha vida inteira jamais tive a chance de conversar com tanta gente interessante em tão pouco tempo. Para eles contei o meu projeto e pedi muito apoio.

pablopowerline

Uma pessoa que logo que soube me deu alguns conselhos positivos foi o Pablo Miyazawa, na minha opinião, o meu mentor dentro da antiga Conrad e junto com o Odair Braz Junior, um cara que me ensinou uma boa parte das coisas que faço hoje. O Pablo começou no Power Line da Nintendo (veja ao lado!), foi editor da Nintendo World e  hoje é o editor da revista Rolling Stone. Durante um dos dias de produção da revista, ele veio almoçar e conversar um pouco comigo. O convite partiu de mim mesmo, eu queria saber o que ele achava da nova revista, o que achava das minhas idéias e das mudanças. E o interessante foi que ele disse uma coisa que me deixou com mais vontade de me esforçar pela causa: “Depois de todo este tempo eu não vejo outra pessoa pra mudar a revista além de você. Acho que você andou bastante por aí, saiu do ramo de games, conheceu muitas coisas e agora retornou com um estilo diferente. É disso que a revista anda precisando”.

Bom, a edição 128 deve estar nas bancas em novembro e se alguém aqui comprar, faça o favor de comentar hein! Aliás, eu tenho um email de editor da revista que é renato.siqueira@nintendoworld.com.br.

A próxima edição virá com 100 páginas! Afinal, o ano tá acabando e as novidades não param de sair pelo menos até depois do Natal.

acaogames_ed1_1990

rubensbarrichello_1991

Jovem Rubinho dava dicas de direção nos games em 1991!